Safári de onças une turismo e preservação
PANTANAL DE MIRANDA - No Pantanal sul-mato-grossense, a esperança tem forma de onça. No bioma onde o maior felino da América muitas vezes é sinônimo de medo e de ameaça ao gado – e onde matar um animal pode ser motivo de orgulho –, um projeto está promovendo a conservação da espécie com o auxílio do turismo de observação. E a esperança vem dando frutos. E netos. Literalmente.
Esperança é o nome de uma das primeiras onças acompanhadas pelo Onçafari, um projeto que importou e adaptou técnicas de observação de leopardos usadas na África para se aproximar do nosso maior gato na planície pantaneira. O trabalho, que teve início em 2011 por iniciativa do ex-piloto de corrida Mario Haberfeld, usa um recurso conhecido como habituação, no qual os pesquisadores se aproximam das onças com carros até que elas se acostumem com aquela presença e deixem ser vistas e estudadas. Guias e turistas em nenhum momento saem do veículo. A ideia é que o bicho não se acostume com a figura humana.
Isso, ao lado de 80 armadilhas fotográficas espalhadas pelo Refúgio Ecológico Caiman, uma propriedade de 53 mil hectares, vem permitindo entender melhor o comportamento das onças, o que traz pistas de como lidar com a espécie para que não seja uma ameaça ao pantaneiro. Por outro lado, permite que turistas e locais a vejam de perto, se encantem e conservem. O encantamento é a parte mais fácil dessa equação – como pôde constatar a reportagem em visita ao Refúgio Ecológico Caiman, em Miranda.
Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

