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A cultura da violência e do álcool

O assassinato brutal do jovem de 22 anos que saia de uma festa, na madrugada de anteontem, soma-se a centenas de outros que ocorrem a cada mês em Fortaleza e no Ceará. É mais do itinerário da violência que marca as relações em nossa sociedade. É evidente que a banalidade que levou ao homicídio chama ainda mais a atenção para o ocorrido.

Não foi queima de arquivo e não foi disputa de território para comércio de drogas. São essas as duas explicações mais comuns que costumam ser usadas pelas autoridades para explicar os impressionantes índices de homicídios no Estado. Uma desavença banal entre jovens levou ao assassinato.

Pelos relatos até aqui conhecidos, um homem abordou a vítima ainda dentro do carro. Pela janela do passageiro da frente, o assassino segurou a cabeça do rapaz com a mão esquerda, puxou-a para fora e, à queima roupa, disparou um tiro usando a mão direita. Frio e, pelo visto, experiente. Uma execução com muitas testemunhas.

A generosidade da mãe da vítima, que disse perdoar o assassino, não diminui a responsabilidade das autoridades policiais de elucidar o crime e enquadrar seus autores. Foi mais um homicídio que, pelas circunstâncias, mostra o quanto a vida e a morte se tornaram banais entre nós. Mata-se com muita facilidade e pelos motivos mais torpes.

Na mesma manhã do homicídio, outro jovem oriundo da mesma festa atropelou e matou um cidadão, pai de duas crianças. Segundo as primeiras informações concedidas pela Polícia, o teste de alcoolemia do motorista deu positivo. O ocorrido compõe outro comportamento culturalmente banalizado: dirigir embriagado. Nessas festas, é fácil perceber o clima de apologia do álcool.

São muitos os casos e situações assemelhadas. As famílias dos chacinados (inocentes) do bairro Curió ainda clamam por justiça. Já se passaram quase 50 dias. 11 pessoas foram executadas. Todos esses crimes se enquadram no mesmo problema.

A violência se estabelece e se irradia quando as forças de segurança e de Justiça não funcionam a contento. Assim, a solução dos conflitos deixa de seguir os ritos institucionais. É tudo muito grave, mas há saídas. É preciso se espelhar nas sociedades que superaram um quadro de violência até mais grave. OPOVO

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