O futuro é hoje - FÁBIO CAMPOS

Em muitos aspectos, Roberto Cláudio se mostra um gestor que deixará marcas muito importantes na história de Fortaleza. Sua visão moderna de cidade priorizou a instalação de tendências mundiais. É o caso da forte ampliação da rede viária que permite aos coletivos espaços exclusivos tornando o transporte de massa mais confortável e veloz. É o caso do elogiável vigor na instalação de uma teia para o trânsito de bicicletas.
Sim, no caso de ciclovias e afins, o uso em massa trata-se de uma tendência. Hoje, essas vias que se espalham rapidamente pela cidade ainda são usadas muito aquém das possibilidades. São quilômetros de asfalto exclusivos para ciclistas, mas com poucos ciclistas. Porém, é uma aposta corretíssima. Quanto a isso, o tempo dará a melhor resposta.
É digna de nota a persistência de RC em juntar inteligências para dotar a cidade de uma cultura de planejamento. Algo relegado nas últimas duas décadas. Já disse aqui outras vezes: o Fortaleza 2040 é a melhor obra do prefeito. O plano mestre urbanístico, o plano de mobilidade e o plano de desenvolvimento econômico e social abrigados no Fortaleza 2040 serão os maiores e melhores legados de sua gestão.
Dias atrás, passei em frente à Igreja do Montese, belo monumento arquitetônico da década de 1940, primórdios do bairro cujo batismo homenageou vitória da Força Expedicionária Brasileira na Itália. Lá há uma estação de carros elétricos compartilhados. Tal ação, inédita no Brasil, diz muito da forma como o prefeito pensa a cidade, que vai muito além do eixo Aldeota/Meireles/Cocó.
Ônibus com ar condicionado em vias exclusivas, bicicletas e carros compartilhados são itens que se relacionam com uma ideia de cidade contemporânea, moderna. Um dos objetivos é mudar a cultura de mobilidade por carro particular, que inviabiliza a cidade e inferniza o cotidiano dos cidadãos. Que bom.
Por não ser um cartório com preços controlados pelos governos, os sistemas que conectam o cidadão a um motorista particular são bem mais baratos que os tradicionais táxis. Por extensão, quanto mais concorrência nessa área, melhor a qualidade e o preço do serviço. Então, para que serve proibir, perseguir e multar? Do ponto de vista do cidadão e da cidade, é um atraso incompatível com o meio urbano que está sendo cuidadosamente planejado.
Aliás, diga-se: os muito bem vindos carros elétricos, uma concessão municipal, devem ser vistos com um sistema paralelo ao Uber e táxis. É mais uma louvável, competente e barata concorrência.
Li no jornal Valor Econômico: “A indústria automobilística já começa a admitir que para sobreviver precisa mudar seus produtos, engajar-se em causas ambientais, aliar-se às empresas especialistas em conectividade e tecnologia e, principalmente, reconhecer que o carro do futuro pode ser a ausência dele”.
O carro autônomo já é uma realidade. Mais breve do que imaginamos, estará em massa nas ruas. “A perspectiva de largar o volante do carro significa tempo extra para outra atividade, como trabalhar ou navegar na internet”. Sendo assim, de que serve tanto esforço para barrar ubers e outros a favor do velho sistema dos táxis? OPOVO

