Os familiares estão perdendo para as drogas
Brigas familiares, desunião ,aposta na impunidade, ganho fácil e consumo garantido explicam o novo mapa do tráfico de entorpecentes. O tráfico oferece a perspectiva do ganho fácil e do consumo assegurado. E a sensação de impunidade – rico não vai para a cadeia – completa o silogismo da juventude da era digital, e do ter sem Ser!
O relacionamento com o tráfico de drogas bate às portas das casas dos bairros de classe média. Mostra a sua garra aos que se julgavam imunes ao seu apelo e ensombrece a alma das famílias que sucumbem ao drama da delinquência insuspeitada, os pais são os últimos a saberem , mas isso tudo pela falta de interesse e preguiça de EDUCAR !
Não é novidade que vemos jovens de classe média e média alta no noticiário policial. Crimes, vandalismo, espancamento de prostitutas, incineração de mendigos, consumo e tráfico de drogas despertam indignação e perplexidade, principalmente dentro da famosa “ classe média alta” .O novo mapa do crime transita nos bares badalados nas ruas do Meireles e Aldeotas da vida ,vive nos condomínios fechados, estuda em colégios e universidades da moda e desfibra o caráter no pântano de um consumismo sem-fim, último modelo de celular, vestidos, e outras futilidades que os próprios pais compram para satisfazer os “ bichinhos” .
Os jovens mobilizam policiais, pais, psicólogos e inúmeros especialistas. O fenômeno, aparentemente surpreendente, é o reflexo de uma cachoeira de equívocos e de uma montanha de omissões. Esse novo perfil da delinquência é o resultado acabado da crise da família, da educação permissiva e de setores do negócio do entretenimento que se empenham em apagar qualquer vestígio de normas ou valores, culpa dos pais sim que ensinam somente os filhos a terem e não a serem pessoas do bem, pessoas solidárias.
Os pais da geração “ moderninha “ , em geral, têm grande parte da culpa. Choram os desvios que cresceram no terreno fertilizado pela omissão. É comum que as pessoas se sintam atônitas quando descobrem que um filho consome drogas.Entao vem a tola pergunta : “Nossa eu deu tudo a ele , tudo!! “ Esquece que esse tudo foi apenas material . Que dirá, então, quando vende. O que não se diz, no entanto, é que muitos lares se transformaram em pensões anônimas e vazias. Há, talvez, encontros casuais, mas não há família. O delito não é apenas o reflexo da falência da autoridade familiar. É, frequentemente, um grito de revolta. Os adolescentes, disse alguém, necessitam de pais morais, e não de pais materiais.A falta de limites, a falta de dizer : NÃO ! NÃO VAI, NÃO FAZ , E NÃO DEIXO ! No final vem o choro, a tristeza…
Varios pais não suportam ser incomodados pelas necessidades dos filhos. Educar dá trabalho, e como dà!! E nem todos estão dispostos a assumir as consequências da paternidade e nem da maternidade. Tentam, então, suprir o vazio afetivo com mesadas, carros ( jovens com modelos novos no mercado ) e outros presentes. Erro mortal. A demissão do exercício da paternidade sempre acaba apresentando sua fatura, preparem o “caixao”. A omissão da família está se traduzindo no assustador aumento da delinquência infanto-juvenil e no comprometimento, talvez irreversível, de parcelas significativas da nova geração.
É fácil imaginar em que ambiente afetivo terão crescido os integrantes do tráfico bem-nascido. Artigos, crônicas e debates tentam explicar o fenômeno. Fala-se de tudo, menos do óbvio: a brutal crise que maltrata a instituição familiar. É preciso ter a coragem de fazer o diagnóstico, senão assistiremos a uma espiral de violência. É só uma questão de tempo.Alias é questão de dias, a droga está aumentando, não se fala em prevenção nas escolas, nas indústrias e nem nas universidades. Alguns Municípios trabalham a prevenção, de 184 municípios poucos tem uma cordenadoria, um trabalho preventivo com os familiares. Os jovens estão entregues as drogas essa é nossa realidade.
Rossana Brasil Kopf
Psicanalista / O ESTADO DO CE

