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A imagem do desrespeito A foto que mostra metade das bancadas vazias num debate presidencial é

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

Realizado pela Band e o Estadão, em parceria com a TV Cultura, TV Gazeta e Jovem Pan, o primeiro debate entre os candidatos à Presidência da República, anteontem à noite, só contou com a participação de Ronaldo Caiado (PSD), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão), que, juntos, representam apenas uma parcela minoritária das intenções de voto – cerca de 11%, somados. Mais eloquente foi a imagem dos três púlpitos vazios no estúdio, o retrato mais bem acabado do profundo desrespeito dos srs. Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) aos eleitores.

 

Zema, convenhamos, é irrelevante. Mas a Lula e a Flávio Bolsonaro, por serem os líderes de todas as pesquisas de intenção de voto, faltaram seriedade e espírito público. A despeito de seus interesses e estratégias pessoais, considerando suas posições na disputa pelo alto cargo a que almejam, ambos deveriam se apresentar ao País, em todas as oportunidades que tiverem, para expor suas ideias às críticas dos adversários e ao escrutínio de jornalistas profissionais, além de prestar contas à sociedade sobre fatos que maculam suas candidaturas. Como se sabe, Lula está às voltas com as suspeitas que recaem sobre seu primogênito e sobre seu ex-chefe de gabinete; Flávio Bolsonaro, por sua vez, ainda deve explicações sobre sua relação com Daniel Vorcaro e os milhões de dólares que recebeu do banqueiro para, supostamente, financiar um filme sobre o pai, Jair Bolsonaro.

 

Lula optou por conceder uma entrevista à TV Record, que a emissora escolheu levar ao ar no mesmo horário do debate. Flávio Bolsonaro, por sua vez, escapou do confronto por temer ser o alvo preferencial dos adversários, uma decisão que até pode ser compreensível do ponto de vista tático, mas é inaceitável para quem se propõe a governar o Brasil.

 

Coube a Caiado, Cury e Santos oferecer aos eleitores o mínimo que a democracia exige: o livre debate de ideias entre os que se pretendem líderes da Nação. Aqui não nos propomos a avaliar os méritos ou deméritos de cada uma das propostas que os três candidatos apresentaram, mas não podemos ignorar o comportamento agressivo do sr. Renan Santos, que chegou a ser admoestado por Cury. O excesso, contudo, não anula a disposição dos presentes de se submeterem ao desconforto de participar de um debate eleitoral, sujeitando-se às perguntas incômodas, às críticas e até a seus próprios erros, enquanto Lula e Flávio Bolsonaro se resguardaram.

 

Discute-se hoje a relevância dos debates na TV para a formação das convicções de voto. É uma reflexão legítima. Mas não se pode perder de vista que debates não são meros compromissos de campanha. Além de servirem de palco para a exposição de planos de governo, são também um dos raros momentos em que os eleitores podem observar os candidatos juntos em um ambiente que não controlam.

 

É nos debates que transparecem suas expressões físicas, maneirismos e reações aos temas tratados, ajudando a audiência a ter uma visão mais completa sobre aqueles que pedem o seu voto. Evitar esse teste é um luxo antidemocrático.

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