Alfabetização precária e desigual
Segundo o Indicador Criança Alfabetizada (ICA) do Ministério da Educação, a taxa de alunos alfabetizados ao final do 2º ano do ensino fundamental em 2025 foi de 66%, superando a meta de 64%. O ICA de 2024, ano em que o monitoramento foi instituído, havia apontado taxa de 54% em 2023.
O objetivo é alcançar, já tardiamente, 80% até 2030. Para isso, o poder público precisa dar atenção a desigualdades regionais e sociais. Além disso, pesquisas mostram que o esforço precisa se dar desde a pré-escola.
As capitais mais bem colocadas são Teresina (81%), Goiânia (80%) e Vitória (79%); no fim da lista estão Salvador (50%), Natal (40%) e Porto Alegre (27%).
São Paulo (53%) está na 21ª posição. Apesar de ter avançado de forma significativa desde 2023, quando obteve 38%, trata-se de resultado precário para a cidade de maior PIB do país.
Sistematização dos dados realizada pela USP indica que, se mantida tal evolução, a capital paulista pode alcançar 80% em 2029.
Os pesquisadores ressaltam, porém, que é comum que cidades com taxas muito baixas consigam ganhos elevados em curto período. O desafio é manter o ritmo de crescimento ou acelerá-lo.
No geral, cidades muito populosas enfrentam obstáculos para melhorar os indicadores devido à diversidade social e a desigualdades de renda que exigem políticas mais focalizadas.
Essas discrepâncias já aparecem na pré-escola, etapa que impacta o processo de alfabetização e, por consequência, o aprendizado durante toda a vida escolar.
Em 2025, o Brasil participou pela primeira vez da avaliação da OCDE que testa habilidades de crianças de 5 anos. As de renda baixa obtiveram 487 pontos em linguagem, ante 521 das crianças de renda alta —a nota do país foi 502, similar à internacional (500). A diferença é verificada mesmo em relação às rendas média-baixa (496) e média-alta (513).
Para acelerar a alfabetização na idade certa, prefeituras, com apoio dos estados e do MEC, precisam de políticas estratégicas direcionadas às desigualdades sociais, com gestão racional de recursos, desde a educação infantil.
Segundo o Plano Nacional de Educação de 2014, o Brasil deveria ter universalizado a pré-escola (mais de 95% das crianças entre 4 e 5 anos matriculadas) em 2024, quando atingiu a taxa de 94,6%.
Não basta, contudo, só criar mais vagas. É essencial incrementar o aprendizado, com capacitação de professores e materiais didáticos, e adaptá-lo às diferentes realidades urbanas, das escolas e, principalmente, das crianças.

