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A esperança que vem de Ribeirão

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

 

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), do Instituto Butantan e do Hemocentro de Ribeirão Preto, no interior paulista, apresentaram recentemente resultados preliminares bastante animadores de um estudo sobre um inovador tratamento contra o linfoma e a leucemia. Trata-se da chamada terapia CAR-T Cell, em que as células de defesa do próprio paciente passam por um processamento em laboratório e são modificadas geneticamente, tornando-se capazes de reconhecer e combater as células cancerígenas.

 

De acordo com os pesquisadores, quase 90% das 18 pessoas com linfoma que receberam a terapia com célula T tiveram uma resposta positiva contra a doença. E a maioria destas, nas palavras de Rodrigo Calado, diretor-presidente do Hemocentro de Ribeirão Preto e principal pesquisador do Centro de Terapia Celular (CTC-USP), obteve uma “resposta completa” no tratamento – ou seja, houve o “desaparecimento do linfoma”.

 

É um feito grandioso: pacientes que já haviam tentado outros tratamentos, como a quimioterapia, a radioterapia ou o transplante, apresentaram uma evolução clínica impressionante com a CAR-T Cell. E, muito além de significar a vitória pessoal de um ou outro paciente – o que já seria muito louvável –, os resultados do estudo vão mais longe: mostram a pujança da ciência paulista. São médicos e cientistas que há mais de dez anos se debruçam sobre as pesquisas de tratamentos dos cânceres de sangue.

 

O trabalho que ainda está na fase clínica 1 e 2 envolve nada menos do que cinco centros de referência: o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, o HC da capital paulista, o HC de Campinas, a Beneficência Portuguesa e o Hospital Sírio-Libanês. As pesquisas, claro, precisam percorrer um longo caminho, com o recrutamento de ao menos cem pacientes, que serão acompanhados por no mínimo um ano após receberem a terapia para que a segurança e a eficácia do tratamento sejam atestadas, como mandam os protocolos científicos.

 

Tudo isso só é possível porque o governo federal, que investiu R$ 100 milhões na pesquisa, e o governo estadual juntaram esforços em prol da qualidade de vida dos pacientes. E o futuro dessa parceria é promissor: presente na apresentação dos resultados do estudo, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que a terapia com célula T contra o linfoma e a leucemia chegará ao Sistema Único de Saúde (SUS) em breve. E mais: como é 100% nacional, a terapia desenvolvida em Ribeirão Preto custará por paciente um quinto do tratamento similar disponível no mercado – R$ 500 mil, ante R$ 2,5 milhões.

 

Os resultados da pesquisa de Ribeirão Preto, ainda que preliminares, são positivos sob todas as perspectivas: da ciência, por se tratar da produção local do conhecimento; da saúde, por alimentar a expectativa da cura; e do desenvolvimento econômico do País, por estimular o avanço do setor médico brasileiro. E, não menos importante, os achados autorizam otimismo. Os pacientes com um câncer no sangue, bem como seus familiares, ganham algo de valor inestimável: esperança.

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