Busque abaixo o que você precisa!

Frota de bicicletas e autopropelidos desafia prefeituras de grandes cidades

A decisão da Prefeitura de São Paulo de regulamentar o uso de patinetes, bicicletas elétricas e ciclomotores é necessária, mas pode não bastar para disciplinar o espaço urbano disputado por toda sorte de veículo, em particular as minimotos movidas a energia elétrica, conhecidas como “autopropelidos”. Mais acessíveis que motos, esses veículos invadiram ruas, ciclovias e pistas de alta velocidade. O resultado era previsível: riscos maiores para todos, em especial os pedestres. A situação requer ampliação e reforma da infraestrutura de ciclovias abertas nas grandes cidades, além de regras de sinalização e responsabilização de quem se desloca neles.
 
A morte de um menino de 9 anos e da mãe no Rio, atropelados por um ônibus, deixou claros os perigos do tráfego sem regras. A tragédia aconteceu numa avenida sem ciclovia, quando os dois se deslocavam numa bicicleta elétrica. As estatísticas corroboram uma epidemia de acidentes do tipo, envolvendo também pedestres. De janeiro a julho do ano passado, o SUS registrava 127 mil acidentes com vulneráveis no trânsito: 98 mil motociclistas e mais de 10 mil ciclistas, incluindo os que transitavam com bicicletas elétricas, além de 19 mil pedestres. Entre janeiro e setembro morreram 1.992 motociclistas, 916 pedestres e 258 ciclistas — quase um por dia.
 
Os acidentes com bicicletas elétricas e outros veículos autopropelidos no Rio mais que triplicaram de 2024 para 2025, de 65 para 211, segundo o Corpo de Bombeiros. De 2023 para 2024, os acidentes com patinetes elétricos, bicicletas com autopropulsão, ciclomotores, motonetas ou lambretas foram multiplicados por oito, de 274 para 2.199, de acordo com a Comissão de Segurança no Ciclismo do Rio. No mesmo período, foram construídos na cidade apenas 7,7 quilômetros de ciclovias.
 
Impõe-se a necessidade de ampliar a infraestrutura para atender a essa mudança importante no trânsito nas grandes cidades, sem prejudicar os pedestres. São Paulo limitou a velocidade de bicicletas e autopropelidos a 20km/h nas ciclovias ou ciclofaixas (no Rio são 25 km/h) — velocidades, para o pedestre, ainda elevadas. Também proibiu a circulação em vias rápidas e sem acostamento. Vetou a circulação em calçadas e qualquer área compartilhada por pedestres e bicicletas sem motor. A portaria de regulamentação em São Paulo está em consulta pública. Por determinação do Contran, são exigidos emplacamento e habilitação específica para ciclomotores e veículos elétricos acima de uma determinada potência ou que superem 32km/h.
 
As regras vão na direção certa, mas tudo dependerá da capacidade das prefeituras de fiscalizar seu cumprimento com o devido rigor e de aplicar as punições necessárias. Não se pode desprezar a falta de espaço físico para a frota crescente de pequenos e potencialmente perigosos veículos elétricos. É fácil criar normas e baixar portarias. O difícil é zelar pelo seu cumprimento.
 
 
 
 
Por 
Editorial/o globo
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Compartilhar Conteúdo

444