Redução da fila joga luz sobre alta do gasto do INSS
A redução da fila do INSS foi negligenciada nos três primeiros anos de mandato. Depois de um recorde de 3,1 milhões de requerimentos em fevereiro, o número caiu para 2,3 milhões em maio. Houve uma redução de 8% em apenas 15 dias, segundo o Ministério da Previdência.
A ineficiência do INSS é crônica. Em outubro de 2025, quase metade dos 18,8 mil servidores (46%) ainda trabalhava em regime remoto integral ou parcial. Agências operavam com 70% dos postos fechados ao público.
A infraestrutura física também está sucateada por falta de verbas, o que talvez impeça, de acordo com o próprio instituto, o necessário retorno de maior contingente ao trabalho presencial. Casos urgentes não são priorizados por falta de tecnologia e gestão, gerando sofrimento e judicialização desnecessária.
É inevitável constatar que, em quatro anos de mandato, o governo Lula não investiu seriamente em modernização e cruzamento de dados para distinguir fraudes de demandas reais. Os improvisos eleitoreiros revelam agora a extensão do descaso.
Expõem com mais clareza, ainda, a trajetória alarmante de expansão de gastos com aposentadorias e BPC que, impulsionados pela demografia, vão retirando espaço orçamentário de serviços e investimentos públicos.
Nos cálculos da Instituição Fiscal Independente (IFI, ligada ao Senado), só os gastos previdenciários do INSS devem saltar do equivalente a 8,1% do Produto Interno Bruto (PIB), no ano passado, para 9,1% até 2030. Tal cenário demanda reformas e ajustes cujo debate está sendo adiado, como de costume, para depois das eleições.

