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Master tem impacto inicial modesto sobre voto em Flávio

A revelação das relações entre Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro impactou, sim, intenções de voto no senador fluminense. Mas, apesar de a nova pesquisa Datafolha registrar perdas, os danos não parecem suficientes para que o principal presidenciável da direita até aqui corra risco imediato de ser substituído.

No primeiro turno, a vantagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Flávio aumentou de 3 para 9 pontos percentuais. O parlamentar, porém, mantém-se competitivo no segundo turno, em que é batido por Lula por 47% a 43% —na pesquisa anterior, havia empate em 45%.

Ainda é um desempenho consideravelmente melhor que os de seus rivais no campo da direita, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo), que marcam 39% ante 48% de Lula. Numa simulação com Michelle Bolsonaro, o incumbente petista derrota a ex-primeira-dama por 48% a 43%.

Cabe ressaltar que a pesquisa retrata um momento anterior à campanha oficial. O filho de Jair Bolsonaro tem um histórico de envolvimento em episódios rumorosos a serem expostos e explorados pelos adversários. Nesse aspecto, sua situação piorou.

Não bastassem sucessivas omissões e mentiras sobre o relacionamento com o ex-controlador do Banco Master, a quem chamava de "irmão", Flávio propiciou outro motivo de suspeitas sobre sua idoneidade.

Na semana passada, o portal Metrópoles revelou que, depois de preso pela primeira vez, mas em casa e com tornozeleira eletrônica, Vorcaro recebeu a visita de Flávio. Este saiu-se com a desculpa de que teria discutido o fim da relação no encontro.

Ainda não há clareza alguma sobre os negócios do ex-banqueiro e pivô do escândalo de corrupção com a família Bolsonaro e a produtora do filme sobre o ex-presidente. Nos mais de quatro meses que restam até as eleições, Flávio terá de encarar exposição e questionamento em debates, TV e redes —fora a possibilidade de novos fatos virem à tona.

Permanece difícil, de todo modo, a situação de Lula, que não obteve alta significativa em intenção de voto nem queda do índice de rejeição a seu nome.

Quanto à avaliação do governo, prossegue a discreta melhora verificada a partir do último mês. O saldo negativo entre os que o consideram ruim ou péssimo e ótimo ou bom, que era de 11 pontos percentuais em abril, recuou para 6 pontos agora (38% e 32%, respectivamente).

É possível que as sucessivas medidas eleitoreiras tenham influenciado de modo marginal os votantes, em particular as mulheres e o estrato com renda inferior a dois salários mínimos.

Assim, não se abala substancialmente por ora a polarização entre PT e bolsonarismo que já marcou as duas últimas disputas presidenciais. Cada lado acumula percentuais expressivos tanto de rejeição como de seguidores fiéis —aos quais não importa tanto o envolvimento em desmandos.

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