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Pai de Vorcaro é preso pela PF por seguir cometendo crimes mesmo depois de prisão do filho

Mônica Bergamo / Mônica Bergamo é jornalista e colunista / FOLHA DE SP

 

Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, foi preso pela PF (Polícia Federal) na manhã desta quinta (14), em Belo Horizonte (MG), na 6ª fase da Operação Compliance Zero.

Ele está sendo investigado por participar do grupo conhecido como "A Turma", usado pelo dono do Banco Master para ameaçar adversários e definida pela PF como "organização criminosa suspeita de praticar condutas de intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasões a dispositivos informáticos".

Henrique Vorcaro, segundo investigação da PF, fazia demandas, efetuava pagamentos e também pedia serviços a um outro grupo, "Os Meninos", que reunia hackers que tentariam derrubar do ar reportagens para o grupo Master, publicando conteúdos positivos para Vorcaro.

Uma delegada da PF foi afastada e um agente da instituição foi preso na mesma operação. Eles são investigados sob a suspeita de integrarem o grupo de Vorcaro vazando informações sigilosas à organização.

 

Além deles, mais dois policiais federais aposentados foram alvos de mandado de busca e apreensão —e um deles também de detenção.

Foram cumpridos sete mandados de prisão, e mais 17 de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Em seu despacho, o magistrado afirma que dados extraídos dos telefones celulares dos investigados "indicam que Henrique permaneceu solicitando serviços ilícitos e providenciando recursos para a manutenção do grupo ['A Turma'] mesmo após as primeiras fases da Operação Compliance Zero, inclusive com menções a repasses vultosos, necessidade de pagamentos para viabilizar o atendimento das demandas, uso de número estrangeiro e troca frequente de terminais, o que reforça a contemporaneidade e a sofisticação do agir investigado".

Afirmou ainda que o pai de Vorcaro exercia a "função de operador financeiro dos pagamentos efetuados ao núcleo criminoso".

Em mensagens enviadas a Henrique e incluídas por Mendonça na decisão, Marilson Roseno, coordenador de "A Turma", pede para que Henrique não o deixe "à deriva", afirmando estar "segurando uma manada de búfalo". Por isso, precisaria do "pagamento ajustado".

Segundo ainda Mendonça, "Henrique responde que receberia recursos na quinta ou na sexta-feira e que, assim que isso ocorresse, 'imediatamente' enviaria '400', ao que Marilson contrapõe que o ideal seria o envio de "800k".

"A Turma", como o grupo se identificava em material apreendido pela Polícia Federal em março, conversou sobre "quebrar todos os dentes" do jornalista Lauro Jardim, de O Globo. A sugestão da sova foi dada pelo chefe e então dono do Master, Daniel Vorcaro, a Luiz Mourão, o "Sicário", apelido que remete a matadores de aluguel.

De acordo com as ordens de prisão decretadas naquele mês pelo ministro André Mendonça, "Sicário" e um ex-policial também invadiam sistemas de órgãos federais, monitoravam e espionavam alvos do dono do banco e agiam para limpar a imagem pública da empresa financeira e de Vorcaro, por meio de pedidos forjados a plataformas digitais e pagamentos a editores por veiculações amistosas.

"Sicário" morreu logo depois de ser preso. A PF afirma que ele cometeu suicídio.

Em março também foi preso preventivamente Fabiano Zettel, cunhado do ex-banqueiro suspeito de organizar pagamentos de "A Turma".

Henrique Vorcaro era um participante ativo da rede de movimentações financeiras do Master e do filho. Eles participavam juntos de empresas que, segundo as investigações, teriam sido usadas para ocultar patrimônio do esquema.

A Folha revelou, por exemplo, que uma empresa da família chamada Multipar movimentou mais de R$ 1 bilhão em cinco anos exclusivamente entre contas ligadas ao dono do Banco Master. O Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) identificou que a movimentação sugere uma tentativa de esconder o patrimônio.

Em nota, a PF afirma que "a Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira (14/5), a 6ª fase da Operação Compliance Zero, com o objetivo de aprofundar as investigações em face de organização criminosa suspeita de praticar condutas de intimidação, coerção, obtenção de informações sigilosas e invasões a dispositivos informáticos".

Policiais federais cumprem sete mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Também foram determinadas ordens de afastamento de cargos públicos e de sequestro e bloqueio de bens.

Estão sendo investigados os crimes de ameaça, corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional".

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