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Distribuição de renda depende de ação social mais eficiente

Mesmo com o desemprego em patamares historicamente baixos, na casa dos 5,5% ao longo de 2025, a desigualdade de renda voltou a subir no Brasil no ano passado. Os dados da pesquisa domiciliar do IBGE mostram que o índice de Gini do rendimento domiciliar per capita passou de 0,504 em 2024 para 0,511, numa escala em que 1 é desigualdade máxima.

 

O número segue sendo o segundo menor da série histórica iniciada em 2012 e bem abaixo do pico de 0,545 registrado em 2018, mas serve de alerta mesmo assim.

A renda domiciliar per capita avançou 6,9%, para R$ 2.264 mensais —novo recorde da série. O ganho, porém, foi maior no topo: os 10% mais ricos viram sua renda subir 8,7%, para R$ 9.117, enquanto os 10% mais pobres obtiveram alta de apenas 3,1%, para R$ 268.

A razão entre os rendimentos dos 10% mais ricos e os 40% mais pobres ficou em 13,8 vezes, ligeiramente pior que as 13,2 vezes de 2024. O nível atual de concentração, embora melhor que o do pré-pandemia, expõe a insuficiência dos mecanismos oficiais de transferência de renda como ferramenta para redução continuada da desigualdade social.

 

Mesmo com a parcela da população com rendimentos do trabalho tendo chegado a 47,8%, a maior da série histórica, o IBGE aponta que 13,8% (29,3 milhões de pessoas) dependeram de aposentadorias e pensões por morte, enquanto programas assistenciais, como o Bolsa Família e o BPC, atenderam 9,1% da população (19,4 milhões de brasileiros).

Na soma geral, o país aporta perto de 13% do PIB em aposentadorias e transferências, montante substancialmente maior que o padrão de países em patamar similar de desenvolvimento.Em contrapartida, há pressão sobre as contas públicas, com endividamento crescente, o que contribui para os juros altos e restringe o espaço para investimentos públicos e privados.

 

As disparidades são ainda maiores quando se consideram medidas mais amplas que a renda domiciliar declarada na pesquisa. Análises baseadas em dados do Imposto de Renda revelam que os estratos mais ricos capturam proporções ainda maiores de ganhos com aluguéis, aplicações financeiras e dividendos. O fosso se aprofunda quando se tem em conta o elevado endividamento das famílias, que atinge os mais pobres, uma consequência direta dos juros elevados, que perpetuam o círculo vicioso de baixa produtividade e concentração de renda.

 

Diante dos limites orçamentários, é preciso buscar maior focalização dos programas sociais. As aposentadorias, impulsionadas pelo crescimento do salário mínimo acima da inflação, já não concentram recursos nos estratos mais vulneráveis. A difícil redução da pobreza e da desigualdade dependerá de uma combinação de crescimento econômico saudável, o que passa por reequilíbrio fiscal, e maior eficiência do vasto aparato de seguridade instituído no país.

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