Busque abaixo o que você precisa!

A IA a serviço dos criminosos

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

Uma reportagem recente do Estadão mostrou como o uso das ferramentas de inteligência artificial (IA) potencializa os ganhos dos criminosos ao mesmo tempo em que desafia o poder público e as instituições financeiras no Brasil.

 

Segundo dados da Polícia Federal (PF), 42,5% das fraudes financeiras aplicadas no ano passado envolveram alguma ferramenta de IA; o uso de vídeos e áudios falsos, os chamados deepfakes, registrou uma alta de 830%, de 2024 para 2025; e o País é um dos maiores produtores no mundo de programas que roubam dados bancários, os chamados malwares.

 

Os crimes digitais acendem um alerta: com a popularização dos serviços financeiros nos smartphones, os bandidos deslocaram o velho estelionato das praças para o mundo virtual. Hoje, eles dão golpes por meio de SMS, aplicativos de mensagens ou e-mails e por ligações telefônicas. E, cada vez mais capacitados, usam ferramentas avançadas da chamada engenharia social, como a manipulação psicológica de pessoas para que repassem dados ou transfiram dinheiro, contando com a IA como aliada.

O ritmo dos ataques preocupa: segundo a Serasa Experian, há uma tentativa de fraude digital a cada 2,2 segundos. O resultado disso tudo é a eficiência da bandidagem, de um lado, e o prejuízo dos correntistas, fintechs e bancos, de outro. Segundo dados da Aliança de Combate às Fraudes Bancárias Digitais, que reúne a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) e o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), as perdas com fraudes digitais chegaram a R$ 52 bilhões em 2024.

 

Como bem explicou Fabro Steibel, diretor-executivo do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS), “a IA é a forma mais barata e mais fácil de se aplicar golpe com muitas pessoas”. Como se vê, é uma atividade de alto retorno e baixo risco para o mundo do crime. Mas é claro que há medidas que podem ser tomadas para atenuar esse cenário, a começar pelo acesso à informação.

Bancos e fintechs já enviam alertas aos clientes para que não repassem dados, como senhas, a estranhos. Pode parecer pouco, mas não é: saber que o risco existe é uma forma de evitar as perdas, tendo em mente que a dica mais valiosa é sempre desconfiar de tudo e de todos.

 

Os crimes digitais, ainda assim, avançam: não à toa, as operações da PF contra as fraudes virtuais saltaram de cerca de 300 em 2022 para mais de mil por ano desde 2024. E a corporação federal parece ter ciência de que sozinha não pode vencer essa guerra. Acertadamente, a PF criou a Plataforma Tentáculos, uma ferramenta de inteligência e de base de dados nacional, na qual centraliza, investiga e combate fraudes bancárias eletrônicas em cooperação com polícias Brasil afora e com as instituições financeiras.

 

A PF agora adota a tática dos bandidos contra eles mesmos: articulada com o setor privado e outras corporações na troca de informações, a corporação federal recorre à IA para traçar modelos que possam antecipar as ações dos criminosos e enfrentá-los. Sem pirotecnias nem disparos em vão, as polícias poderão vencer esse tipo de crime com colaboração e inteligência.

Compartilhar Conteúdo

444