Petro fica longe da 'paz total'
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Passados dez anos do acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), a população do país ainda aguarda a erradicação das guerrilhas convertidas ao narcotráfico e a diminuição dos índices de violência.
Desde o início de seu mandato, Gustavo Petro —ex-guerrilheiro eleito primeiro presidente de esquerda do país em 2022— enfrenta dificuldades na segurança pública. Seu plano de "paz total", uma promessa de campanha baseada em mudança de foco no combate ao tráfico para o desenvolvimento agrário e acordos com grupos armados, fracassou.
A pouco mais de um mês do pleito presidencial, Petro precisou suspender as negociações com a guerrilha Estado-Maior de Blocos e Frente (EMBF) na quarta (22). Iniciadas há três anos, as conversas não resistiram à persistência dos ataques contra civis, rivais e soldados das forças de segurança, do desmatamento ilegal e do narcotráfico por esse grupo dissidente das Farc.
A esse malogro somam-se a negativa do Clã do Golfo, hoje a maior organização armada da Colômbia, à oferta de negociações pelo governo e a decisão de Petro de pôr fim a um cessar-fogo com o Exército de Libertação Nacional (ELN) —a mais antiga guerrilha latino-americana que liderou um ataque que matou cerca de 100 pessoas em 2025.
Ao fim do mandato, Petro deixa um cenário similar ao que recebeu de Ivan Duque, há quatro anos. Dados do Ministério de Defesa mostram aumento de 3,7% nos homicídios dolosos em 2025, em relação a 2022, e a triplicação do total de sequestros.
Ainda assim, o colombiano conseguiu conter as ameaças de Donald Trump, de aplicar à Colômbia um tratamento similar ao que dispensou à Venezuela em janeiro. Em fevereiro, ambos selaram um acordo de cooperação para o combate ao narcotráfico.
Na sexta (24), um atentado contra uma base militar em Cáli deixou dois feridos e deu início a uma série de ataques nos departamentos de Valle del Cauca e Cauca, no sudoeste do país, mesma região que sofreu com a onda de violência em 2025. No sábado (25), uma bomba matou 14 pessoas e feriu ao menos 38 em Cauca.
Nas eleições legislativas de março, o partido de Petro conseguiu maioria no Senado; na Câmara, mais fragmentada, o cenário favorece a centro-direita.
Com a desaprovação de Petro em 57%, segundo pesquisa Atlas Intel do começo deste mês, e o fracasso da almejada "paz total", é incerto se a esquerda repetirá o resultado nas eleições presidenciais, no final de maio.

