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Rio à deriva

Lá se vão quase três décadas que o Rio de Janeiro foi tragado por uma sucessão ininterrupta de governadores envolvidos numa miríade de escândalos de corrupção, lavagem de dinheiro e organizações criminosas, a provocar condenações, prisões, impeachment e, agora, renúncia e inelegibilidade.

O mais recente capítulo desta penúria institucional que assola o Palácio Guanabara atende pelo nome de Cláudio Castro (PL).

O agora ex-governador decidiu renunciar ao cargo na segunda (23), véspera da retomada do seu julgamento no Tribunal Superior Eleitoral. A manobra, a fim de evitar a cassação, não impediu que ele fosse declarado inelegível até 2030 —ainda cabe recurso.

Castro foi acusado de montar um esquema para criar 27 mil cargos fantasmas e alocar apadrinhados às vésperas da campanha de 2022, driblando regras administrativas e eleitorais no que ficou conhecido como o caso das folhas de pagamento secretas.

Em nota, o ex-governador diz que recebeu a decisão com "grande inconformismo". "Saio de cabeça erguida", disse na despedida, sem falar com a imprensa.

TSE também condenou o ex-presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, que já estava afastado, e o ex-vice-governador Thiago Pampolha. Bacellar perde o mandato; Pampolha já havia renunciado para assumir uma vaga no Tribunal de Contas.

Sendo assim, a função sobrou, de forma interina, para o presidente do Tribunal de Justiça, Ricardo Couto de Castro. Oportunamente, ele declarou que "não está preparado". Caberá ao magistrado governar até que a Alerj realize eleição para um mandato-tampão até o final do ano.

A trajetória vertiginosa de instabilidade inicia-se com o casal Garotinho (1999-2006): Anthony, primeiro, e Rosinha, depois, chegaram a ser presos e investigados por, entre outros, delitos eleitorais e organização criminosa.

Já Sérgio Cabral (2007-14), alvo da Lava Jato, ficou encarcerado por mais de seis anos acusado de corrupção e lavagem de dinheiro; Luiz Fernando Pezão (2015-18), preso ainda no mandato, foi condenado a 98 anos por corrupção, mas a decisão foi anulada.

Por fim, Wilson Witzel (2019-20) sofreu impeachment após acusações de contratos ilícitos relativos à pandemia —Castro estava no posto desde então.

O segundo estado mais rico da nação parece enredado em clientelismo, corrupção sistêmica e infiltrações do crime organizado nas esferas de poder. A chance de os fluminenses começarem a escapar dessa teia, ao menos, está próxima: as eleições de outubro.

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