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Trump mira o agônico regime cubano

O regime que governa Cuba desde a revolução de 1959, tornado socialista dois anos depois, vive uma crise agônica. Além da prostração econômica endêmica, desmorona a infraestrutura energética da ilha. A ditadura criada por Fidel Castro (1926-2016), herdada por seu irmão Raúl e legada hoje a Miguel Díaz-Canel, é uma relíquia aberrante da Guerra Fria.

Nascida popular contra outro regime autoritário, tornou-se um instável instrumento da tentativa da União Soviética de ameaçar os Estados Unidos perto de casa, quase levando o mundo a uma guerra nuclear em 1962.

A partir daquele ano, o embargo americano à ilha tornou-se a desculpa ideal para uma espiral de abusos contra os direitos humanos, decadência econômica e clientelismo político.

A morte do império comunista centrado em Moscou, em 1991, pareceu jogar a ilha no rumo da normalidade —houve flexibilização econômica, dado que as torneiras soviéticas haviam secado.

Aos poucos, porém, a autocracia de Hugo Chávez e a ditadura subsequente de Nicolás Maduro, ambas filiais dos serviços secretos cubanos na Venezuela, reabriram linhas de auxílio na forma de petróleo subsidiado.

Até um ensaio de acomodação com os EUA se desenhou em 2015, um ano antes da morte de Fidel, mas a primeira encarnação de Donald Trump na Casa Branca fez o processo retroceder. Agora, em sua volta ao poder, o presidente republicano aperta o garrote no regime insular.

Trump capturou Maduro em janeiro. Com isso, foi cortado o envio de petróleo e derivados à ilha, cuja matriz energética depende de 16 usinas termoelétricas a diesel. Ato contínuo, os apagões, que já denunciavam a obsolescência do sistema, tornaram-se diários.

Na segunda-feira (16), o governo declarou o colapso da rede elétrica. Não sem coincidência, no mesmo dia, Trump veio a público dizer acreditar "que terá a honra de tomar Cuba" e que "pode fazer o que quiser" com o país.

Ao mesmo tempo, emergiram relatos de que as negociações com os EUA, admitidas por Díaz-Canel, talvez incluam sua saída do poder, visando entregar uma vitória ao estilo Venezuela para Trump exibir nas eleições parlamentares de novembro.

Isolado ao lado de Israel em sua guerra contra o Irã, Trump precisa de mais um diversionismo. Essa hipótese não configura um final feliz. Cuba merece se libertar do comunismo para abraçar a democracia, não cair de volta nas mãos de alguns escroques à espreita na Flórida ou ver o regime arrumar um novo patrono.

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