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Atenção ao metano

Já é consenso no campo científico que a temperatura atmosférica do planeta está em alta desde o período pré-industrial. Mas pela primeira vez, segundo especialistas, uma pesquisa consegue atestar com alto grau de precisão que o aquecimento global passou a avançar de forma mais acelerada.

Segundo o estudo realizado pelo alemão Instituto Potsdam para Pesquisa do Impacto Climático, publicado na última sexta (6), o ritmo de elevação da temperatura da Terra, que desde 1970 se mantinha estável em cerca de 0,2ºC por década, saltou para 0,35º a partir de 2014.

Nessa toada, a meta do Acordo de Paris —manter a alta da temperatura média global abaixo de 2°C até 2100, preferencialmente abaixo de 1,5ºC, em relação ao período pré-industrial— será descumprida até 2030.

Os alemães aumentaram a precisão ao remover fatores de alteração de curto prazo, como o fenômeno El Niño, erupções vulcânicas e variações solares.

Ao excluir essas flutuações, a taxa de aceleração verificada na pesquisa (0,35°C) não se deve a picos nos termômetros em alguns anos, mas a uma tendência disparada na década passada.

Entre as causas, especialistas apontam para regras mais rígidas contra a poluição do ar. As partículas de poluição, prejudiciais à saúde, funcionam como barreiras que refletem a luz solar, o que ajuda a resfriar o planeta.

O outro fator amplamente conhecido são os gases de efeito estufa. Muito se fala sobre o dióxido de carbono, que de fato representa 75% desses gases. Mas é preciso dar maior atenção à contenção das emissões de metano.

Isso porque este gás é 80% mais potente do que o CO2 e se mantém por cerca de 20 anos na atmosfera, enquanto o dióxido de carbono permanece por séculos.

Na COP26, em 2021, 103 países assinaram o Pacto Global de Metano, que prevê a o corte de 30% nas emissões do gás até 2030.

Mas os números só crescem. A Agência Internacional de Energia estima 580 milhões de toneladas (Mt) de metano liberadas em 2020 e 610 Mt em 2024, sendo que 60% vêm de atividade humana. No Brasil, um dos signatários, as emissões de metano entre 2020 e 2023 subiram 6%, chegando a 21,1 Mt, com o agronegócio responsável por 75% do total, segundo a rede nacional de pesquisa Observatório do Clima.

Governos precisam direcionar esforços para ações estratégicas de combate de curto prazo, que mirem a velocidade dos termômetros —sem, por óbvio, esquecer de medidas mais duradouras, como a redução de CO2.

 

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