Caso Master mostra por que é melhor privatizar BRB
Por Editorial / O GLOBO
A liquidação do Banco Master expôs os problemas enfrentados pelo BRB, banco estatal controlado pelo governo do Distrito Federal. No ano passado, a Câmara Legislativa do DF deu sinal verde para o BRB adquirir parte do Master. O negócio foi vetado pelo Banco Central (BC), que já via como irreversível a derrocada do banco de Daniel Vorcaro. Mas o BRB acabou comprando uma carteira fraudulenta de títulos do Master avaliada em R$ 12,2 bilhões. Uma auditoria do BC constatou que os papéis não existiam ou estavam supervalorizados, e a Polícia Federal abriu inquérito para investigar fraudes.
Como resultado dessa operação temerária, o BC avisou recentemente que o BRB precisará provisionar pelo menos R$ 5 bilhões em ativos reais no seu balanço, cifra superior a todo o patrimônio líquido declarado no segundo trimestre de 2025 — R$ 4 bilhões. O próprio BRB estima necessitar de um aporte de R$ 6,6 bilhões para equilibrar suas contas. Ninguém tem ideia de onde virá tanto dinheiro.
O BRB sugeriu o envolvimento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e de outras instituições financeiras. Ora, o FGC é uma entidade privada, mantida por contribuições do sistema bancário, cuja missão é funcionar como seguro para correntistas e investidores — não para bancos em apuros em razão de operações suspeitas. Devido à falência do grupo Master (incluindo Will Bank e Pleno), o FGC já comprometeu cerca de R$ 52 bilhões de sua liquidez, estimada em perto de R$ 122 bilhões no início do ano. Não teria o menor nexo envolvê-lo em mais uma operação de salvação do BRB.
Outras soluções propostas envolvem o uso de imóveis e outros ativos como lastro para constituição de fundos de investimento imobiliário ou patrimonial. Essa engenharia, tecnicamente conhecida como securitização, teria como objetivo fazer o governo do DF captar, a partir dessas garantias, os recursos de que necessita para sanear o BRB. Mas tudo depende da qualidade dos ativos, e nesses momentos o mercado tende a subavaliá-los. Outro fator relevante é a transparência dos fundos, recurso desde o início escasso em todo o imbróglio do Master. Por fim, essas operações costumam ser demoradas, e há uma corrida contra o tempo para evitar uma crise de liquidez no banco.
O governo brasiliense decerto recorrerá à Câmara Legislativa em busca de mais recursos. Mas é incerto que desta vez conte com o apoio necessário para aprovar uma operação de salvação do BRB. O melhor seria a classe política aprender com a crise e aproveitar para privatizá-lo. A existência do BRB como banco estatal é um anacronismo de um tempo em que os entes federativos dispunham de sistemas bancários próprios para emitir dívida sem controle nem transparência, e a conta invariavelmente sobrava para o contribuinte na forma de mais impostos ou para o cidadão na forma de mais inflação. Não há prova mais eloquente da necessidade da privatização do que, mais uma vez, o governo do DF estar às voltas com um rombo para cobrir.

