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Conter os efeitos nocivos da expansão das motos

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Levantamento realizado pelo Departamento de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) a pedido da Folha aponta aumento de mortes de pedestres atropelados por motocicletas no estado e na capital. Tal indicador, juntamente com o de óbitos de condutores de motos, mostra que o poder público não está dando a devida atenção aos efeitos da ampliação do uso desses veículos.

No ano passado, foram registrados 1.376 boletins de ocorrência sobre mortes de pedestres por atropelamento no estado, sendo que em 809 era informado o tipo de veículo; na capital, foram 410 e 230, respectivamente.

A série, que tem início em 2019, mostra alta de óbitos causados por motos no trânsito paulista entre 2022 e 2025, passando de 145 a 202. Na capital, o crescimento começa com 38 mortes em 2023 até 66 em 2025.

Os automóveis responderam pela maior fatia da letalidade no ano passado, com 420 no estado e 89 na capital, mas houve redução ante 2024 (466 e 97).

A frota de motos cresceu mais (28,2%) do que a de carros (10%) entre 2019 e 2025, segundo a Secretaria Nacional de Trânsito. A alta decorre do uso do veículo de duas rodas para serviços de entrega por aplicativos e como alternativa ao transporte coletivo.

Assim, é crucial que governos nas três esferas atuem em várias frentes para conter consequências deletérias do fenômeno.

A flexibilização da obtenção CNH implementada em dezembro do ano passado visou conter a ilegalidade —relatório do governo federal de 2024 mostra que, dos 34,2 milhões de proprietários de motos, 17,5 milhões (53,8%) não tinham o documento.

A velocidade precisa ser contida. Pesquisa da Universidade Johns Hopkins (EUA) em parceria com a USP revelou que, em 2024, 43% das motos ultrapassaram os limites, ante 33% em 2021.

Para isso, é preciso endurecer a fiscalização. Segundo especialistas, motos podem não ser captadas por sensores no asfalto por serem muito leves, sem contar que possuem só placas traseiras, o que compromete o registro de fotos. É comum ver motoqueiros por São Paulo ignorando solenemente semáforos fechados.

Ademais, a redução dos limites de velocidade nas marginais, apesar de impopular, salva vidas. Quando foi testada na capital entre 2015 e 2017, o número de mortes apresentou queda de 15%.

Melhorar o transporte público, redesenhar vias e investir em educação no trânsito são outras ações necessárias para lidar com a expansão, que não tende a parar com a alta demanda da sociedade por serviços de aplicativo.

 

MOTOCICLETAS EM CIRCULAÇÃO NA AV. 23 DE MAIO SP

 

 

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