Busque abaixo o que você precisa!

Ação nos EUA abre caminho para redes sociais mais seguras

Por  Editorial / O GLOBO

 

 

Diante do Tribunal Superior de Los AngelesMark Zuckerberg — CEO da Meta, dona das maiores redes sociais do mundo — viu-se obrigado a defender as plataformas digitais num processo em que não faltam evidências de como elas manipulam algoritmos para manter adolescentes presos às telas de computador e celular. Está em julgamento a responsabilidade por distúrbios de comportamento em jovens dependentes. A autora da ação, hoje com 20 anos, acusa Meta e YouTube por ter desenvolvido ansiedade, depressão e uma visão distorcida da própria aparência, o Transtorno Dismórfico Corporal. Deverão sair do processo subsídios para os parâmetros de uso por menores de idade — e não apenas nos Estados Unidos.

 

Não está em discussão se as plataformas digitais oferecem perigo a crianças e adolescentes. Essa fase foi superada. No livro “A geração ansiosa”, de 2024, o psicólogo social americano Jonathan Haidt traz evidências da associação entre a popularização dos smartphones e das redes sociais e a crise na saúde mental de jovens. De acordo com suas pesquisas, os meninos costumam ser afetados por se isolar imersos em jogos eletrônicos, enquanto as meninas são atingidas ao buscar nas redes uma imagem física e social ideal. O resultado é depressão, ansiedade, insônia e problemas de autoestima. As denúncias contra as plataformas digitais, não só da Meta e não apenas nos Estados Unidos, têm amplo lastro científico.

 

Também não é a primeira vez que Zuckerberg é chamado a se explicar sobre danos a jovens e crianças. Em 2024, convocado a audiência no Congresso, foi forçado a pedir desculpas a famílias que atribuem às redes sociais a morte de seus filhos. A Meta é processada em pelo menos 41 dos 50 estados americanos por manipular algoritmos para viciar adolescentes. No Novo México, a Procuradoria-Geral chega a acusá-la de permitir que predadores sexuais procurem crianças por meio de suas redes. Em depoimento prestado antes de Zuckerberg, um diretor do Instagram não convenceu ao tentar explicar por que deixara de proibir filtros de beleza, simulando cirurgias plásticas.

 

Ao depor, Zuckerberg lamentou que a Meta tivesse levado tanto tempo para identificar — e banir — menores de 13 anos do Instagram. “Gostaria que tivéssemos feito isso antes”, afirmou. Nas palavras dele, “é muito difícil” cumprir o requisito, pois muitos mentem sobre a idade e há “sensibilidade” à questão por razões de privacidade. Por fim, mencionou “ferramentas proativas” criadas pela Meta para identificar e fechar contas que descumprem regras. Ora, é inverossímil que Zuckerberg não saiba o que se passa nas suas redes. As evidências expostas no julgamento sugerem que seu objetivo sempre foi o oposto do que declarou. Documentos internos da Meta de 2015, revelados por uma ex-funcionária, alertavam sobre a queda no uso por adolescentes e mostravam executivos determinando estratégias para atraí-los. Um memorando de Zuckerberg traçava a meta de “aumentar o tempo gasto em 12%”. Como fazer isso sem criar dependência?

 

Processos como o de Los Angeles são uma reação natural da sociedade em defesa da saúde mental da população. A principal questão, já há algum tempo, é punir os responsáveis e aperfeiçoar a regulação. Estabelecido que a Meta pretendeu viciar adolescentes nas redes, é preciso haver punição e a garantia de que isso não se repetirá. Autoridades brasileiras devem ficar atentas.

 

Mark Zuckerberg chega ao Tribunal Superior de Los AngelesMark Zuckerberg chega ao Tribunal Superior de Los Angeles — Foto: Kyle Grillot/Bloomberg

Compartilhar Conteúdo

444