Há palestras e pale$tra$
O Fórum Internacional de Direito, patrono do evento, pertencia à empresa UniAlfa, controladora de uma faculdade de Direito de Goiânia, todas integrantes do Grupo José Alves, dono de um laboratório onde produzia a ivermectina, prima da cloroquina. O fórum onde Moraes falou reuniu-se antes na cidade espanhola de Valladolid. Dos 31 conferencistas arrolados pelos eventos, 20 eram brasileiros e 11 pertenciam aos quadros da UniAlfa.
Quem demonizou o quê? Em 2024, um ministro do Supremo recebia R$ 44 mil mensais. Era um bom dinheiro, acompanhado de uma invejável infraestrutura. Aquele ano foi o do esplendor das farofas de magistrados. Entre junho de 2023 e maio de 2024, os juízes estiveram presentes em ao menos 22 agendas internacionais. Quase todas no circuito Elizabeth Arden (Paris, Londres, Nova York e Roma.)
Quem demonizou as palestras foram os magistrados metidos em farofas demoníacas. Registre-se que os juízes não têm o monopólio dessas farofas, nem a anomalia é brasileira. O genial juiz Antonin Scalia, da Corte Suprema dos Estados Unidos, morreu em 2016 durante uma farofa. Em 2024 o ex-primeiro ministro inglês Tony Blair — farofeiro cosmopolita — participou de um evento em Londres. Pagou pela sua presença o falecido Banco Master.
É impossível criar-se uma métrica para o valor de palestras. Mesmo assim, para servidores ativos do Estado e até mesmo para jornalistas, é razoável acreditar que uma palestra vale, no máximo, a quarta parte dos vencimentos mensais do bem-aventurado. Afinal, ele cobrará a remuneração de uma semana por um ou dois dias de trabalho. Pelo andar da carruagem, o código de conduta de Edson Fachin e Cármen Lúcia faz água. Quanto mais condutas condenáveis houver, maiores serão as dificuldades.
As palestras são a parte mais visível da erosão do Supremo, e não se consegue sequer que os magistrados informem quanto receberam ou de quem. Se tão pouco é tão difícil, mexer com exuberantes parentelas seria tarefa de Hércules. Pode-se torcer pelo código, mas pode-se também acompanhar cada passo do seu funeral, ou da sua diluição.
Haddad na frigideira
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, corre o risco de ser frito numa frigideira especial, a do êxito. Tendo sido um ministro que passou limpo pelo cargo, querem empurrá-lo candidato numa eleição majoritária. Disputou quatro eleições. Venceu a primeira como poste de Lula e levou a prefeitura de São Paulo. Perdeu a reeleição, foi para o sacrifício disputando a Presidência com Bolsonaro enquanto Lula estava na cadeia.
Disputou o governo de São Paulo contra o carioca Tarcísio de Freitas e foi batido.
Eremildo, o idiota
Eremildo é um idiota e acredita em tudo o que o governo diz.
Lula contou que, a pedido do ex-ministro Guido Mantega, recebeu o banqueiro Daniel Vorcaro em dezembro de 2024 deixando claro que qualquer solução para o Master deveria seguir os padrões técnicos do Banco Central.
Desse encontro participaram Lula, Mantega, Vorcaro e Gabriel Galípolo, então numa diretoria do Banco Central, mais outras duas testemunhas. Segundo o site Poder 360, Galípolo não contou esse encontro ao presidente do BC, Roberto Campos Neto.
A repórter Consuelo Dieguez revelou na revista Piauí que, em abril de 2025, o Banco Central pediu ao Fundo Garantidor de Crédito um empréstimo de R$ 11 bilhões para salvar o Banco Master. O FGC aquiesceu, mas reduziu o valor do empréstimo. Em vez de R$ 11 bilhões, liberou R$ 5,7 bilhões.
Eremildo acredita em tudo isso, afinal, é um cretino.
Marco Buzzi está encrencado
O ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), sempre foi mais conhecido por seu comportamento do que pela sua jurisprudência. Com a denúncia de que assediou a filha de um casal de hóspedes, de 18 anos, precisa de bons advogados.
Leitura útil
Antes de embarcar para Washington valeria a pena que Lula lesse as conversas de seus antecessores com os presidentes americanos.
São parecidas, com o brasileiro apresentando algum tipo de pleito.
O ponto fora da curva foi o encontro do general Emílio Médici com Richard Nixon. Medici só lhe fez uma insinuação, embutindo um pedido, a promoção a general do coronel Arthur Moura.
Descendente de açorianos, o coronel Moura falava um português impecável e transitava com rara facilidade, do porão ao Alto Comando.
Nixon atendeu o pedido, em termos claros: “Isto é uma ordem e não quero ouvir conversas de burocratas”.
Moura foi a general, e ficou no Brasil até 1975. Mais tarde, trabalhou na empreiteira Mendes Júnior.
Um diplomata que serviu a esse tempo na embaixada contou: “O verdadeiro orientador político da embaixada era o general Moura. Eu participei de reuniões que ele praticamente presidia”.
Moura era um protegido do general Vernon Walters, a quem conheceu como tenente. Em 1971, Walters foi o intérprete da conversa de Médici com Nixon e dias depois escreveu ao amigo:
“Arthur, a tua estrela está garantida”.
Pássaro no Post
Em 2013, quando Jeff Bezos comprou o diário Washington Post, sua entrada no negócio foi saudada como uma redenção.
Bastaram três anos para que o encanto se quebrasse.
O jornal anunciou que demitirá um terço de seus funcionários. Sua redação, que tem cerca de 800 jornalistas, mandará embora 300.
O Post esteve nas mãos de um banqueiro, cujo genro era considerado um gênio, até que começou a ter um comportamento errático e meteu uma bala na cabeça.
O Post ficou para a herdeira Katharine Graham (1917-2001), uma simples viúva rica.
Foi com ela que o Post viveu seus dias de glória, com o escândalo do Watergate. Kay Graham foi tudo isso e também a mais requisitada figura da vida social no serpentário de Washington.

