Queda nos incêndios florestais traz oportunidade para governo se preparar
Por Editorial / O GLOBO
A queda nas queimadas neste ano é uma oportunidade para que governo federal, estados e municípios — especialmente no Norte, Nordeste e Centro-Oeste — se antecipem, de forma conjunta e planejada, para evitar a devastação observada no ano passado, quando as chamas se alastraram pelo país. O improviso costumeiro no combate aos incêndios florestais expõe o despreparo das autoridades para fiscalizar, prevenir e remediar situações previsíveis em tempos de extremos climáticos.
Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram uma trégua do fogo neste ano. Entre 1º de janeiro e 25 de agosto, foram identificados 42.678 focos de incêndio, 60% a menos que no mesmo período do ano passado. Na Amazônia, houve recuo de 77%. No Pantanal, de 98%, e no Cerrado, onde as queimadas costumam ser mais resistentes, de 40%. A queda é atribuída tanto a ações do poder público quanto, principalmente, ao alívio climático, que não se sabe até quando vai durar.
No ano passado, quando o Brasil ardia em chamas, e a fumaça tomava conta de cidades em diferentes regiões, a solução mais eficaz foi a volta das chuvas. Mas não se pode dizer que nada tenha sido feito. A Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, sancionada em julho do ano passado, permitiu que fossem realizadas mais ações preventivas no combate aos incêndios. A tendência é que dê bons resultados. É oportuna também a reunião convocada para hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva com governadores dos estados cujos biomas são mais vulneráveis. A intenção, diz o Planalto, é alinhar ações federais, estaduais e municipais no combate ao fogo. Em 2024, o governo demorou a agir, depois teve de enfrentar desgaste político pela omissão.
A devastação florestal não está ligada somente às motosserras, mas também a incêndios que, diz o Ibama, raramente surgem de forma espontânea. Na maior parte dos casos, são provocados por ação humana. Daí a importância do rigor na fiscalização. Mas ela só será eficaz se houver integração das diferentes esferas de governo. Soluções compartimentadas tendem a produzir no máximo troca de acusações que não levam a nada.
Com o aumento dos fenômenos climáticos extremos devido ao aquecimento global, secas severas e grandes incêndios florestais são mais prováveis. Não há como evitá-los, mas pode-se reduzir seu efeito devastador. Para isso, é preciso haver coordenação e planejamento. Não adianta correr para formar brigadas de incêndio quando a floresta já está ardendo. O Brasil tem oportunidade de agir agora, quando a situação está sob controle. Precisa aproveitá-la, antes que o cenário se torne crítico novamente.
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