Busque abaixo o que você precisa!

Uma boa notícia pode vir dos EUA

 

EDITORIAL DA FOLHA DE SP

A economia dos Estados Unidos se encontra em um momento delicado, em que indicadores apontam desaceleração que pode levar seu banco central, o Federal Reserve, a iniciar já em setembro um ciclo de corte dos juros, hoje mantidos entre 4,25% a 4,5% ao ano.

O presidente americano, Donald Trump, em mais uma manifestação de seu populismo primitivo, tem criticado severamente as taxas —e, por linhas tortas, ele agora contribui para reduzi-las.

No primeiro semestre, o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA cresceu apenas 1,25% anualizado, ritmo significativamente mais lento do que o observado em anos anteriores. As projeções para a segunda metade do ano não são muito mais otimistas, com estimativas indicando alta de apenas 1%.

A geração de empregos, outro indicador crucial, também apresenta sinais preocupantes. Após períodos de robusta criação de vagas, os números mais recentes indicam uma queda significativa de novos postos de trabalho, e a taxa de desemprego começa a mostrar sinais de aumento.

Além disso, o horizonte é obscurecido pelo iminente choque de renda decorrente do aumento de tarifas comerciais, que devem elevar os preços de bens importados nos próximos meses, impactando diretamente o poder de compra dos consumidores.

Estima-se que as tarifas, de 15% a 50% como regra, mais cobranças adicionais sobre produtos tidos como essenciais, possam elevar a inflação para 3,5% a 4% em 2025, o que deve ser restritivo para a demanda interna.

Por ora, a boa notícia é que o Fed mantém a visão de que o aumento da inflação será transitório. A expectativa é que, após o choque inicial, a inflação convirja gradualmente para a meta de 2% nos próximos dois anos.

O choque inflacionário ainda por vir normalmente não recomendaria redução de juros, mas diante da desaceleração do emprego, o Fed deve optar por uma postura mais branda.

As projeções do mercado sugerem que os juros americanos podem cair para cerca de 3,5% anuais até meados de 2026. Se esse ciclo de cortes se concretizar, poderá haver desvalorização do dólar, uma vez que taxas de juros mais baixas reduzem a atratividade da moeda americana.

Para países emergentes como o Brasil, isso tende a ser positivo e suplantar a preocupação com a cobrança alfandegária. A possível valorização do real ante o dólar, mesmo diante dos riscos fiscais internos, pode aliviar pressões inflacionárias importadas e favorecer cortes na taxa Selic, que já parecem se aproximar.

FED FEDERAL RESERVE BCO EEUU

O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo.

Compartilhar Conteúdo

444