Proximidade geográfica e Porto do Pecém fortaleceram o comércio entre Ceará e EUA
A parceria comercial longínqua é viabilizada pela proximidade geográfica entre os dois locais e facilidades logísticas, destaca a professora de Comércio Exterior da Universidade de Fortaleza (Unifor), Larissa Amaral.
“Nosso tempo para chegar aos Estados Unidos é muito baixo comparado com o da Ásia, Europa. Temos voos diretos, que permitem que, em sete horas, uma carga chegue aos Estados Unidos, além de linhas diretas pela via marítima”, analisa.
A especialista enfatiza que a relação comercial foi construída com o tempo. De início, as mercadorias eram enviadas somente pelo Porto do Mucuripe. A consolidação do Porto do Pecém e seu complexo industrial, no início dos anos 2000, impulsionou as exportações.
“Os Estados Unidos foram um mercado muito grande, apto para receber nossas mercadorias. Comercializar com um país um grande volume é muito mais fácil do que ter que comercializar com vários países volumes fracionados”, aponta.
A indústria cearense conquista diversos compradores norte-americanos devido à diversidade da produção, avalia o presidente do Conselho Regional de Economia do Estado do Ceará (Corecon-CE), Wandemberg Almeida.
Os produtores de bens de transformação se beneficiam de contratos duradouros e bem avaliados, que o favorece a preferência para exportar aos Estados Unidos.
“Essa preferência é comum, especialmente em estados que têm uma estrutura exportadora concentrada. Por exemplo, Minas Gerais tem proximidade maior com a China, Amazonas com os EUA e o México pela zona franca de Manaus”, afirma.
Exportações de aço do Ceará para os EUA ganham força desde 2017
Não é possível falar do comércio exterior cearense sem falar da pauta do aço. No primeiro semestre de 2025, as exportações de ferro, aço e produtos derivados representaram cerca de 75% do valor vendido aos Estados Unidos.
As exportações cearenses aos Estados Unidos cresceram de forma expressiva em 2018, chegando a US$ 870 milhões. Concomitantemente, o setor siderúrgico cresceu sua participação no mercado exportador. Naquele ano, foram exportados 963 mil toneladas em ferro aos EUA, avaliadas em US$ 552 milhões. Em comparação 2017, o valor exportado cresceu mais de 250%.
O movimento está relacionado ao início da operação da ArcelorMittal no complexo do Pecém, após aquisição da Companhia Siderúrgica do Pecém (CSP), em 2016.
A empresa é a maior produtora de aço do Brasil e segue como uma das maiores exportadoras do Estado. Atualmente, a planta no Ceará tem capacidade de produzir 3 milhões de toneladas de placas de aço.
Larissa Amaral destaca que a empresa chegou ao Ceará, se instalando em uma região portuária, visando estrategicamente a exportação.
A operação grandiosa da siderúrgica, que domina os dados de exportação, pode até ofuscar a diversidade do comércio exterior que vem sendo conquistada nos últimos anos, segundo a especialista.
“Sim, podemos chamar de dependência com os Estados Unidos, mas relacionada ao setor do aço. Quase 50% do que é exportado são outros produtos, que vão para o mercado norte-americano e também para outros mercados”, afirma.
DIVERSIFICAÇÃO DE MERCADOS É IMPORTANTE
A relação comercial entre o Ceará e os Estados Unidos foi favorável ao Estado em 22 dos últimos 25 anos. Ou seja, de modo geral, o Ceará exporta em volume maior do que importa do país.
Apesar da presença constante dos Estados Unidos na liderança de exportações, o comércio exterior do Ceará passou por grandes mudanças nas últimas décadas.
Em 1997, por exemplo, Argentina, Paraguai e Canadá se juntavam aos EUA no ranking de principais destinos dos produtos cearenses.
Já em 2024, a lista foi formada por Países Baixos, México, China, França. O Ipece destaca que a participação chinesa na pauta de exportações tem evoluído.
A representatividade da China nas exportações saltou de 0,01%, em 2000, para 3,91%, em 2024, saindo da 70ª para a 4ª posição.
O processo de diversificação de mercados consumidores, que já vem sendo realizado há alguns anos, é fundamental para que o Ceará não limite suas potencialidades, defende Wandenberg Almeida.
"Buscar novos mercados acaba envolvendo custos elevados, adaptação dos produtos em outras redes, requisitos sanitários. Então, quando um mercado como o dos Estados Unidos compra muito da gente, acaba virando um incentivo para que se diminuísse a diversificação", comenta.
