Aumentou o custo de defender os Bolsonaros
O Datafolha acaba de estimar o elevado custo político com que um candidato de direita terá de arcar caso prometa oferecer indulto presidencial ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na campanha de 2026. Mais de seis em cada dez entrevistados afirmam que deixariam de votar num postulante que fizesse tal promessa.
O fardo poderá recair sobre os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Minas, Romeu Zema (Novo), e Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil). Os três, cogitados para o Planalto, defendem o uso desse poder que a Carta faculta ao presidente da República para livrar Bolsonaro da cadeia, se ele for em breve condenado, como é provável, por tentativa de golpe.
As hipóteses da anistia —lei que teria de ser aprovada no Congresso Nacional para isentar de punição os condenados por subversão— e do perdão presidencial já enfrentavam dificuldades mesmo antes de Eduardo e Jair Bolsonaro se associarem à chantagem do presidente dos EUA, Donald Trump, contra as instituições brasileiras.
Havia a incompatibilidade no tempo, pois não cabe eximir de culpa quem ainda não foi condenado de forma inapelável, como é o caso de vários réus, incluindo o ex-presidente, processados no Supremo Tribunal Federal (STF). Havia o precedente da própria corte constitucional, que já invalidou indulto presidencial em situação semelhante.
Havia também o desgaste político de desmoralizar a legislação votada pelo Congresso, e sancionada por Jair Bolsonaro, destinada a proteger o Estado democrático de Direito de seus violadores.
A vilania de Eduardo e Jair de aliarem-se a um agressor estrangeiro que causará danos multibilionários à renda e aos empregos no Brasil fez diminuir ainda mais as chances de a pauta da impunidade progredir. Os presidentes da Câmara e do Senado tomaram mais distância da família tóxica.
O constrangimento penetrou a centro-direita. Nenhum dos governadores que já defenderam o indulto a Bolsonaro compareceu às lamentáveis manifestações de endosso ao achaque trumpista neste domingo (3). Tarcísio e Zema, cujas reações iniciais ao tarifaço haviam sido abomináveis, parece que aprenderam algo.
Registre-se, a propósito, a boa condução do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), nesse tema. Também cotado para a disputa presidencial no ano que vem, não se comprometeu com o perdão a Bolsonaro nem derrapou na reação ao tarifaço. O Datafolha mostrou que é tão competitivo quanto Tarcísio contra Lula.
Se a crise com os EUA servir para isolar de vez o cancro representado pelo radicalismo bolsonarista no Brasil, terá produzido ao menos um desfecho positivo.
Não é necessário ler resultados de pesquisa para avaliar a impostura que é se aproximar de alguém que não tem prurido de tramar contra o próprio país. Entre uma família de postulantes a tiranetes autocentrados e o Brasil, a escolha deveria ser fácil e clara.

