Na semana que se encerra, uma das perguntas que mais circularam nos bastidores da política cearense foi: por que Cid Gomes fez uma defesa tão enfática de Júnior Mano? O senador convocou uma entrevista coletiva para denunciar suposta perseguição ao deputado federal, criticou a investigação da Polícia Federal e reafirmou sua confiança no aliado. Desde a operação que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao parlamentar, nenhum outro nome, nem mesmo o próprio investigado, havia feito uma manifestação tão contundente.
A coletiva, marcada por declarações incisivas, provocou reações dentro e fora do mundo político. A postura de Cid demonstrou uma aposta alta e um movimento de risco calculado. Ainda assim, no ambiente político, gestos dessa natureza são interpretados como demonstrações de lealdade e liderança, atributos que têm sustentado o capital político do senador mesmo sem o controle direto de estruturas administrativas.
Essa não é, porém, uma atitude isolada em sua trajetória. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu ainda durante o seu governo estadual, entre 2010 e 2011, no chamado “escândalo dos banheiros”, quando a Secretaria das Cidades era comandada por Camilo Santana, hoje ministro da Educação. À época, Cid optou por manter Camilo no cargo e, anos depois, foi fiador de sua candidatura ao governo estadual, numa aliança com o PT que enfrentaria questionamentos durante a campanha de 2014, especialmente por adversários como Eunício Oliveira (PMDB).
No caso de Júnior Mano, Cid voltou a acionar um discurso baseado na presunção de inocência, argumento tradicional no campo jurídico, mas que também tem efeitos políticos imediatos. O gesto reforça uma prática recorrente do senador: não abandonar aliados em momentos de crise, mesmo diante de investigações de grande repercussão. Ao reafirmar o apoio a Júnior Mano como possível candidato ao Senado em 2026, Cid não apenas protege o aliado como envia um recado direto aos demais aliados.
O impacto da operação da PF, que repercutiu nacionalmente, gerou rumores de que Júnior Mano estaria fora da disputa eleitoral futura. Ao manter o apoio, Cid sinaliza disposição em sustentar a indicação até onde for possível, mesmo em meio à tempestade jurídica e midiática.