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BC ganha ajuda de Trump, mas não de Lula

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A decisão tomada pelo Banco Central de elevar seus juros em 0,5 ponto percentual —para 14,75% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas— decorre da persistência da inflação e da incerteza quanto ao cenário econômico.

Entre os riscos citados pelo Comitê de Política Monetária (Copom) estão as expectativas para o IPCA acima da meta, a alta de preços dos serviços e os impactos de políticas internas e externas, em particular a guerra comercial deflagrada pelos EUA.

A alta da Selic, aprovada por unanimidade, veio acompanhada pela indicação de que o BC já antevê o fim do ciclo de aperto monetário —seja com a taxa básica no patamar atual, seja após um movimento derradeiro na próxima reunião, em junho.

Tal patamar é menor que o esperado há alguns meses, quando as expectativas do mercado financeiro apontavam para 15,5%.

Já se observa uma incipiente desaceleração da economia, mas o motivo principal da distensão é a valorização do real ante o dólar, que favorece a internalização de menores preços de energia e, logo, de bens industriais.

Ocorre, vale notar, que essa apreciação da moeda brasileira não decorre dos méritos da política econômica doméstica, mas de fatores externos.

Desde que Donald Trump iniciou sua escalada tarifária, o dólar vem perdendo valor, com alguma evidência de saída de parte dos capitais que buscaram o país nos últimos anos. Com novos destinos, esse dinheiro acaba impulsionando outras regiões.

Para os Estados Unidos, o impacto é inflacionário, mas no restante do mundo pode ser o oposto, com a interrupção do comércio e o risco recessivo.

Em meio a esse alívio efêmero, a política econômica brasileira segue em um caminho contraditório. Enquanto o BC adota uma postura contracionista, elevando juros para frear o consumo e a inflação, o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) insiste em programas de incentivo à demanda e aumento de gastos públicos.

A dualidade eleva o custo do ajuste para a sociedade e dificulta o trabalho do BC, que precisa compensar, com taxas mais altas, a pressão sobre os preços gerada pela gestão frouxa do Orçamento federal. O Copom, hoje com maioria de participantes indicados por Lula, aponta que a política fiscal contribui para deteriorar as expectativas.

Com as projeções de inflação do BC ainda acima da meta de 3% até pelo menos meados de 2027, o mais provável é que, mesmo no caso de alguma redução até o ano que vem, os juros permaneçam altos por muito tempo, comprometendo famílias e empresas.

Para evitar esse cenário seria necessário um compromisso crível com a redução do déficit público. Só assim se poderiam reduzir a percepção de risco e as projeções para o IPCA.

Infelizmente, não é o que se vê do Planalto, que age apenas para minimizar danos e com o foco na popularidade presidencial.

 

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