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Melhora na vacinação ainda é insuficiente para proteger população

Por Editorial / O GLOBO

 

 

É urgente o Brasil melhorar seus indicadores de vacinação. Em 2024, a meta de cobertura foi atingida em apenas 3 das 19 vacinas no calendário infantil, segundo o Ministério da Saúde — BCG (tuberculose), tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) e reforço de poliomielite. Não se trata de recomeçar do zero. De janeiro a novembro, houve aumento da cobertura em 15 vacinas do calendário. Para 12 delas, uma fração maior da população foi vacinada em 11 meses que em todo o ano de 2023. Na tríplice viral, a meta da segunda dose foi alcançada em 2.408 municípios, aumento de 180% na comparação com 2022. Na oral contra pólio, o salto foi de 93%. Mesmo assim, como disse ao GLOBO Isabella Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), é necessário atingir a meta de cobertura vacinal em todas, do contrário os vírus e agentes patológicos continuarão a apresentar risco.

 

No caso brasileiro, a hesitação vacinal, resultado da proliferação de desinformação nas redes sociais, nem é o maior problema. Nove de dez brasileiros dizem acreditar que as vacinas “são muito importantes”, de acordo com pesquisa do Conselho Nacional do Ministério Público, da Universidade de Santo Amaro e do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas. Mesmo assim, no levantamento, um quarto dos entrevistados diz não confiar em imunizantes. Isso prova a necessidade de ampliar as campanhas de esclarecimento. Somente 46% dos entrevistados dizem estar “bem informados” sobre o calendário de vacinas.

 

A maior dificuldade num país de dimensões continentais está na logística. Mesmo quando as vacinas chegam aos postos de saúde, é comum ficarem lá, à espera de quem queira se vacinar. É preciso criar mecanismos para levá-las até a população. Escolas são fundamentais para ampliar a cobertura, segundo Eder Gatti, presidente do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde. “Esperamos atividades pedagógicas de vacinação e o ambiente escolar para promover a vacinação”, diz ele. “Uma estratégia como essa é importante porque pega a faixa etária jovem, que normalmente não frequenta as unidades básicas de saúde.” Entre abril e maio, segundo o governo, crianças e adolescentes menores de 15 anos matriculados em escolas serão vacinados em todo o país.

 

À medida que as coberturas vão chegando perto das metas, as três esferas de governo precisam intensificar a ação nos municípios atrasados. A maioria dos estados contém bolsões de não vacinados. Os governadores devem aumentar a pressão sobre os retardatários. Mesmo em municípios com índices crescentes de vacinação, deve haver vacina em locais de grande circulação e busca ativa por quem ainda não foi imunizado. A ciência ainda é incapaz de prevenir ou curar diversas doenças que levam à morte. Naquelas em que já existe solução, é um contrassenso não se proteger.

 

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