Busque abaixo o que você precisa!

Lula premia a fidelidade em vez da competência, em um governo sem convicções

Por Carlos Andreazza / O ESTADÃO DE SP

 

Preocupada com o Orçamento ainda não aprovado pelo Parlamento, a Fazenda suspendera a concessão de crédito rural subsidiado. Não havia dinheiro – a alta dos juros tornara caríssima a subvenção. Decisão correta, inexistente a grana para cobrir o buraco arrombado pela disparidade entre as taxas – escassez agravada pela restrição adicional aos gastos, incerta a Lei Orçamentária de 2025.

 

 

O cronista elogiou. Elogiou o que – logo se saberia – já era nova corrente de telefone sem fio. Não se pode elogiar. Nunca se deve elogiar ato de quem não tem convicção. Baterá muito a cabeça quem, não tendo convicção, tampouco se comunica. Batata.

A gritaria do agronegócio fez o governo – o Palácio não sabia – recuar e abrir nova frente de puxadinhos. Quem não chora, não mama. Quem não se comunica, se trumbica. E Lula – sempre pego de surpresa – pediu solução imediata; donde a medida provisória liberadora de créditos extraordinários. A solução previsível – gastadora – do governo desarticulado que, sempre assustado, reage com improvisos.

 

Serão R$ 4 bilhões para assegurar as linhas do Plano Safra. Haddad explicou: “É como se tivesse sido aprovado dentro do Orçamento, com os limites do arcabouço.” O ministro nos convidando ao teatro – também desafio à fé – em que dinheiros não submetidos à regra fiscal o serão adiante. Até lá, deveremos fingir que está tudo certo. “Vamos depois acomodar dentro dos limites do arcabouço fiscal”. Acomodarão depois igualmente os bilhões do Pé-de-Meia. E do Auxílio-Gás 

 

Acomodada mesmo é a situação do fiscalista É-Como-Se Haddad, colaborador cuja competência se verificaria pelo número de barbaridades que terá evitado. Métrica de aferição impossível. Privilégio que não teve a ministra da Saúde, a ser demitida – sem qualquer crise do Pix na conta – por administração insuficiente. Lula já informou que ela cairá.

 

Cairá por incompetência. É o que se planta. Teve muitas chances. Foi avisada várias vezes. Não entregou. Cairá – eis a versão que prospera – por não ter conseguido tocar programas que o Planalto considera obras-primas, incapaz de implementar a contento o tal “Mais acesso a especialistas”. O nome é esse mesmo – o que só agora parece incomodar os sidônios mais atentos.

 

O presidente estaria ainda insatisfeito – quase março de 2025 – com o ritmo da campanha de combate à dengue. Mas incompetente, desprovida de senso de urgência, é a ex-ministra em atividade. Para cujo lugar virá Alexandre Padilha – a ser de repente gestor do terceiro maior orçamento da União, depois de passar quase dois anos sendo chamado, sobretudo dentro do governo, de incompetente.

 

A mensagem é clara. Lula premia a fidelidade. Para resolver um problema de incompetência na Saúde, promove um ministro considerado incompetente na articulação política. Premiação ousada.

 

 

 

Foto do autor

Opinião por Carlos Andreazza

Andreazza foi colunista do jornal O Globo e âncora da Rádio CBN Rio, além de ter colaborado com a Rádio BandNews e com o Grupo Jovem Pan. Formado em jornalismo pela PUC-Rio, escreve às segundas e sextas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Compartilhar Conteúdo

444