Crédito mais fácil deverá manter Brasil na liderança do mercado de fintechs
Por Editorial / O GLOBO
O Brasil lidera na América Latina o mercado de fintechs, empresas que atuam no mercado financeiro por meio de plataformas digitais. Uma em quatro dessas empresas inovadoras no continente opera no país. Em 2017, não passavam de 230, segundo o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Ao final do ano passado, eram 722. Por decisão do Conselho Monetário Nacional (CMN), as regras de financiamento às fintechs de crédito no Brasil foram alteradas no começo de agosto para facilitar a captação de recursos. Ainda é cedo para avaliar os efeitos da medida, mas, se ela cumprir o objetivo de reduzir os custos de financiamento e aumentar o dinamismo no mercado de crédito, especialmente aquele voltado para pequenas e médias empresas, o país deverá se manter na dianteira.
A melhoria no ambiente de negócios para as fintechs tem o potencial de reverberar pelos mais diferentes setores. Para competir com as instituições financeiras tradicionais, elas costumam apostar em agilidade e menos burocracia. Custos baixos e uma experiência melhor para os clientes são outras características associadas às fintechs. Com o uso intensivo de recursos tecnológicos, elas tentam explorar nichos negligenciados pela concorrência, expandindo a oferta de produtos e serviços. A expectativa do Banco Central é que, com o tempo, ajudem a ampliar ainda mais a concorrência e a aumentar a eficiência do sistema financeiro.
A decisão do CMN chegou no momento em que o setor dá sinais de amadurecimento. As fintechs em fase de expansão ou consolidação aumentaram de 31% do total em 2022 para 44% no ano passado, segundo a Fintech Deep Dive 2023, quinta edição da pesquisa da Associação Brasileira de Fintechs. Quatro em dez declararam ter parado de registrar prejuízo, nível mais alto em cinco anos. A análise do faturamento também traz boas notícias. Há menos fintechs com receita inferior a R$ 350 mil e mais com faturamento superior. Em 2022, 60% tinham menos de 20 funcionários. Em 2023, 51%.
Além de ser o maior, o mercado brasileiro destoa do latino-americano. Na região, o segmento de meios de pagamento ocupa o primeiro lugar, com 21% das empresas. No Brasil, predomina o crédito. Em 2023, esse segmento tinha participação de 17%, ante 16% para meios de pagamento, 14% para gestão financeira, 13% para bancos digitais e 10% para criptoativos.
Se ampliarem a captação de recursos a custos menores, as fintechs estarão mais preparadas para reforçar o foco nas pequenas e médias empresas (PMEs). Mais da metade diz que seus clientes são PMEs. Um ano antes, em 2022, eram 38%. Independentemente do setor em que atuem, os empreendedores à frente de startups sempre buscam mapear as dificuldades dos clientes e, a partir da eliminação de barreiras, buscam oportunidades de negócios.
Agora, com condições mais favoráveis para se financiar, as fintechs de crédito estão mais fortes para encarar o desafio de inovar. Quanto mais aumentarem a competição, maiores serão as vantagens para o mercado todo.

