González se autoproclama presidente da Venezuela e apela a militares que parem de reprimir protestos
Por Redação / O ESTADÃO DE SP
CARACAS - Os líderes da oposição na Venezuela, Edmundo González Urrutia e María Corina Machado, apelaram à “consciência” dos militares e policiais ao sugerir que eles rompam com o chavismo e parem de reprimir os protestos. González assina como presidente eleito a nota em que reafirma sua vitória.
“Membros das Forças Armadas e policiais atendam aos seus deveres constitucionais e não reprimam o povo”, pede o comunicado. “O novo governo, eleito democraticamente pelo povo venezuelano, oferece garantias a quem cumprir o seu dever. Da mesma forma, destaca que não haverá impunidade. Esse é o compromisso que fazemos.”
A oposição afirma que fez a sua parte ao mobilizar os eleitores para conseguir que os resultados fossem incontestáveis e que tem provas “irretutáveis” da vitória. “Obtivemos 67% dos votos enquanto Nicolás Maduro teve 30%. Essa é a expressão da vontade popular”, diz o texto, que proclama Edmundo González como presidente. María Corina Machado também assina como “líder das forças democráticas da Venezuela”.
“No entanto, Maduro se recusa a reconhecer que foi derrotado por todo país e, diante dos protestos legítimos, lançou uma ofensiva brutal”, diz a oposição. “Fazemos um apelo à consciência dos militares e policiais para que se coloquem ao lado do povo e de suas próprias famílias. Com essa violação massiva dos direitos humanos, alinha-se com Maduro e seus vis interesses”, segue a nota.
As manifestações deixaram pelo menos 11 civis mortos, denunciam organizações de direitos humanos, enquanto a ditadura chavista afirma que há mais de 2 mil detidos. Dois militares morreram em incidentes violentos.
González Urrutia foi indicado como representante de Machado, que venceu as primárias da oposição, mas foi impedida de concorrer. Ele foi reconhecido como presidente por Estados Unidos, Peru, Argentina, Uruguai, Equador, Costa Rica e Panamá. Outros países como Brasil, Colômbia e México ainda não reconheceram os resultados e cobram os dados da votação.
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), controlado pelo chavismo, ratificou na sexta a vitória de Nicolás Maduro com 52% dos votos, contra 43% do candidato opositor. Mas não apresentou as atas, documentos extraídos das urnas que comprovariam os resultados, alegando um suposto ataque hacker.
Maduro, que recebeu uma declaração de “lealdade absoluta” do alto comando militar na semana passada, alega que há uma tentativa de “golpe de Estado” em curso./COM AFP

