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Violência desigual exige ação do governo federal

Por Editorial / o globo

 

O Brasil é desigual até nos índices de criminalidade. De acordo com o Atlas da Violência divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), enquanto Sul e Sudeste apresentavam em 2022 taxas de homicídio declinantes, Norte, Nordeste e Centro-Oeste registravam números ascendentes.

 

São Paulo mais uma vez ostenta a menor taxa de homicídios da Federação (6,8 por 100 mil habitantes). Em seguida, aparecem Santa Catarina (9,1), Distrito Federal (11,4), Minas Gerais (12,5), Rio Grande do Sul (17,1), Mato Grosso do Sul (19,7), Rio de Janeiro (21,4), Paraná (22,3), Goiás (23,1) e Piauí (24,1), todas abaixo ou pouco acima da média nacional (21,7).

 

No outro extremo figura a Bahia, estado que nos últimos anos tem enfrentado grave crise na segurança. Com 45,1 homicídios por 100 mil habitantes, concentra seis das dez cidades mais letais do país: Jequié — a mais violenta (88,8) —, Santo Antônio de Jesus, Simões Filho, Camaçari, Feira de Santana e Juazeiro. Completam a lista fatídica Cabo de Santo Agostinho (PE), Sorriso (MT), Altamira (PA) e Macapá (AP), todas com taxas acima de 68 por 100 mil, mais que o triplo da média nacional.

 

Chamam a atenção também as altas taxas de estados do Norte. O Amazonas tem a segunda maior (42,5), seguido por Amapá (40,5) e Roraima (38,6). O assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom Phillips, que chocou o país dois anos atrás, é um sintoma da violência que há muito explodiu na região, onde todos os crimes se entrelaçam. Fica evidente que o problema nesses estados vai além de desmatamento, pesca predatória, grilagem, garimpo ilegal e invasão de terras indígenas. Com tudo isso se misturam o tráfico de drogas e a guerra entre organizações criminosas.

 

As poderosas facções de São Paulo e Rio de Janeiro hoje disputam o controle de pontos de venda de drogas com as do Norte e Nordeste, criando um ambiente propício para mais assassinatos. Episódios de violência que costumavam estar associados a estados do Sudeste se espalharam pela região. Na madrugada da última quinta-feira, oito pessoas foram mortas e uma ficou ferida numa praça do centro de Viçosa, cidade de 60 mil habitantes no interior cearense. Imagens de câmeras de segurança mostram que as vítimas foram colocadas lado a lado com as mãos entrelaçadas atrás da cabeça antes de ser executadas. Foi a segunda chacina no município desde 2021.

 

A União não pode continuar ignorando esse tipo de episódio como se nada tivesse a ver com a segurança pública. Segundo o Atlas, 46.409 brasileiros foram assassinados em 2022. Consideradas as mortes violentas por causa indeterminada, o número vai a 52.391, ou 143 assassinatos por dia. A situação pode não ter piorado, mas também não melhorou. As taxas de homicídio têm permanecido estáveis nos últimos anos.

 

Em diferentes regiões, vastas áreas são controladas por organizações criminosas que impõem violência e terror à população. Deveria ser óbvio para o Palácio do Planalto que os estados — em especial os do Norte e do Nordeste — não têm orçamento ou recursos humanos e materiais para enfrentar o crime organizado. O governo federal precisa dar uma resposta à sociedade.

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