Não vai ser aumentando os custos do trabalho que vamos combater o desemprego, diz Abit
Por Carlos Eduardo Valim / o estadão de sp
O setor têxtil é um dos 17 que serão impactados pela liminar do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin, que suspendeu a desoneração da folha de pagamentos. O ministro atendeu a um pedido da Advocacia Geral da União para derrubar a desoneração, que foi aprovada pelo Congresso e valeria até 2027.
Se essa liminar não for derrubada ou não houver algum acordo, as empresas já terão de recolher a alíquota cheia da contribuição patronal no próximo dia 20. Segundo o diretor-superintendente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), Fernando Pimentel, as companhias não estão preparadas para fazer esse pagamento agora, uma vez que a reoneração não estava prevista em suas estruturas de custos e preços de produtos e serviços ofertados.
A desoneração da folha de pagamentos beneficia milhares de empresas que empregam mais de 9 milhões de pessoas. Estimativa feita pela União Geral dos Trabalhadores (UGT) apontam para a possibilidade de perda de mais mais um milhão desses empregos caso a desoneração seja realmente derrubada.
A seguir, os principais trechos da entrevista:
Como o setor têxtil está vendo essa discussão toda sobre a reoneração da folha de pagamentos?
Foi colocado um ator novo no processo. Agora, não só o Congresso e o governo estão na discussão. O Congresso aprova, o governo veta, e daí ainda entra o STF no meio. Por outro lado, o Congresso está reagindo de maneira muito veemente. É preciso tomar muito cuidado com esses movimentos todos, porque o Congresso representa a vontade do povo. Eles são eleitos pela população. E essa discussão acontece desde março do ano passado. Não podemos ser surpreendidos pela necessidade de pagamento com uma decisão do STF. Estamos trabalhando agora para resolver esse imbróglio, com uma opção que não penalize as empresas.
Como se dá o impacto para os negócios?
As empresas terão os seus orçamentos afetados. É um impacto até mesmo para setores que trabalham com investimentos de longo prazo, como a construção civil. Esse é o quadro que estamos vivenciando, precisando lidar com o imprevisto. O Brasil não precisa aumentar mais a insegurança no ambiente de negócios. Temos de seguir um caminho de redução dos custos de emprego formal no Brasil.

