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Nova política industrial do governo 'repete um modelo que a gente já sabe que não funcionou', diz economista

Míriam Leitão/  Por  / O GLOBO

 

nova política industrial anunciada, nesta segunda-feira, pelo Planalto, com promessa de financiamentos de até R$ 300 bilhões até 2026, tem cara de revival na avaliação do economista Armando Castelar, Coordenador de Economia Aplicada do FGV IBRE e Professor do Instituto de Economia da UFRJ. Para Castelar, o grande ponto a ser explicado pelo governo federal é como um modelo já testado no passado, sem sucesso, terá agora um efeito diferente.

 

- Até aqui só temos apenas as linhas genéricas da política industrial. Para uma avaliação bem feita é preciso detalhar. Na minha percepção, no entanto, é uma repetição do passado. Para uma política que parece tanto com as do passado, falta um mínimo de entendimento por que do que deu errado. Falta uma análise prévia de porque dessa vez vai ser diferente, por que a gente não vai dar com os burros na água de novo? É repetição de um modelo que a gente já sabe que não funcionou.

 

Um dos equívocos repetidos, na visão de Castelar, é o da exigência de "conteúdos locais".

 

- Conteúdo local é uma política que não só onera as contas públicas, como também faz com que você fique totalmente desconectado de cadeias globais de valor. O Brasil é um dos países menos conectados a cadeias globais de valor no mundo. Isto porque, se você for produzir aqui dentro não pode fazer só um pedaço, tem que fazer tudo. Dessa forma não se está interagindo com as empresas mais modernas, com a tecnologia, você vira um cluster separado do resto do mundo o que é muito ruim, porque a tecnologia, é uma tecnologia global.

 

O economista pondera ainda que a nova política vai de encontro a Reforma Tributária que busca uniformizar as regras para todos os setores.

 

- A política apresentada pelo governo vai na direção oposta, de fazer regras diferentes para alguns setores. Além disso, aumenta o gasto gasto público, o que reflete nos juros e faz com que as empresas tenham um custo de capital mais alto para financiar. Ou seja, vai reduzir investimentos de quem não receber subsídio. O passado mostrou que isso é um tiro no pé, que o que você reduz com juros altos é muito mais que eventualmente ganha subsidiando alguns setores. A história mostra que os setores foram muito mal escolhidos, a indústria naval está aí, ou não está aí, para comprovar - destaca Castelar.

 

Na sua avalição antes de lançar a nova política industrial brasileira deveria ter sido feito uma análise de eficiência dos gastos, assim como o Ministério do Planejamento vem implementando em relação às políticas sociais para decidir onde alocar recursos:

 

- Vão ser gastos centenas de bilhões de reais num momento em que as contas públicas são complicadas, aumentando a pressão sobre o risco fiscal e a política monetária, sem explicar porque no passado não funcionou, mas agora vai funcionar. Por que correr um risco tão grande? Por que que se está aumentando imposto para conseguir fazer as contas fecharem e ao mesmo tempo se dará bilhões de reais? Algumas perguntas deveriam ser minimamente respondidas.

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