Amazônia violenta
São alarmantes os índices de criminalidade na Amazônia Legal. A pesquisa Cartografias da Violência na Amazônia, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e do Instituto Mãe Crioula, mostra que a taxa de mortes violentas intencionais em 2022 foi 45% maior nessa região do que a média nacional.
Contaram-se lá 33,8 homicídios para cada 100 mil pessoas, ante 23,3 na média brasileira. Atuação precária do Estado e associação de facções criminosas com garimpo e desmatamento são causas do fenômeno que urge ser combatido.
Com dimensões colossais e áreas de difícil acesso, a região formada por Acre, Amazonas, Roraima, Amapá, Rondônia, Pará, Tocantins, Mato Grosso e parte do Maranhão representa um desafio para a atuação das forças de segurança.
Os números refletem carência nos setores de inteligência e investigação. São 60,4 mil policiais militares na Amazônia Legal, o equivalente a 83 km² para cada PM. Já os 14,8 mil policiais civis e os 2.358 peritos disponíveis precisam cobrir em média áreas de 339 km² e 2.127 km², respectivamente.
A estrutura material também é precária. O território corresponde a 20 vezes o do estado de São Paulo, mas a Polícia Militar paulista tem 4 helicópteros a mais.
Reportagem da Folha expôs a situação de um garimpo na Terra Indígena Sarará (MT), localizado próximo a um posto de vigilância da Funai que tem só três servidores e cinco policiais da Força Nacional de Segurança Pública para lidar com cerca de 2.000 invasores.
A área de extração ilegal de ouro ali saltou de 36 hectares em 2022 para impressionantes 252,3 hectares até outubro deste ano.
A associação entre facções do narcotráfico, como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, e garimpo aumenta o poder de fogo desta atividade, o que dificulta ainda mais a fiscalização e a segurança. Membros do CV e do PCC já estão em 178 dos 772 municípios da região, atingindo 59% da população local.
A região conta com 1.249 delegacias, mas, para os temas de conflitos agrários, crime organizado, drogas, lavagem de dinheiro e casos relacionados, são apenas 54.
Essa nova cara da violência, que une infrações ambientais a tráfico e ocultação de dinheiro exige operações especializadas para quebrar a cadeia de comando dessas organizações. Não basta a presença do Estado, é preciso ação de inteligência coordenada e de longo prazo.

