Governo Milei promete reprimir quem bloquear ruas para protestar na Argentina
Por Carolina Marins / O ESTADÃO DE SP
ENVIADA ESPECIAL A BUENOS AIRES - O governo de Javier Milei anunciou nesta quinta-feira, 14, um protocolo de segurança que visa impedir bloqueios de ruas, vias e pontes em manifestações na cidade de Buenos Aires, epicentro dos grandes protestos na Argentina. A medida ocorre em meio a ameaças de protestos por centrais sindicais após os anúncios econômicos de Milei esta semana, e antes dos históricos protestos de 20 de dezembro que relembra o massacre da Plaza de Mayo durante a crise de 2001.
O protocolo, anunciado pela ministra de Segurança, Patricia Bullrich, em coletiva de imprensa, faz parte da política de “quem faz, paga” que Milei veio repetindo durante toda a campanha. “Se usará a força de forma proporcional à resistência”, informou a ministra, em um país marcado por intensos protestos, raramente reprimidos pelas forças de segurança. “Se saírem às ruas haverá consequências: vamos ordenar o país para que as pessoas possam viver em paz”, disse.
“O objetivo deste protocolo é, por um lado, cumprir a lei, como diz o presidente, quem faz, paga. E, por outro lado, cuidar de todos aqueles que cuidam de nós”, disse Bulllrich na abertura de seu discurso. “É estabelecer um protocolo que proteja as forças federais no desempenho do seu dever. É muito importante compreender que vivemos durante muitos anos sob absoluta desordem. É hora de acabar com essa metodologia, que só leva à desordem e ao descumprimento da lei”.
Entre as medidas do protocolo estão:
- As quatro forças federais mais o serviço penitenciário federal vão intervir contra paralisações, piquetes e bloqueios, sejam parciais ou totais.
- As forças podem intervir de acordo com os códigos processuais vigentes. “Se houver um crime em flagrante, eles poderão intervir”, explicou.
- Em caso de paralisações de rotas principais, não serão consideradas as alternativas. “Só porque existe uma rota alternativa não significa que a rota principal possa permanecer fechada”, acrescentou.
- As medidas serão tomadas até que o espaço de circulação seja liberado.
- Para levar a cabo estas medidas, as forças utilizarão a força mínima necessária e suficiente. Será classificado de acordo com a resistência.
- Os agressores e os veículos utilizados nas infrações serão identificados. Os veículos que não cumprirem as regras de trânsito serão apreendidos.Também haverá punição a quem levar crianças para os protestos. “Não vamos permitir que eles os usem como escudos”, disse.

