Conheça a cidade paulista em que todos os moradores têm acesso a água e esgoto
Por João Sorima Neto — São Paulo / OGLOBO
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Se o Brasil tem até 2033 para universalizar os serviços de saneamento, Jundiaí, a 57 quilômetros de São Paulo, não precisa se apressar. Antecipou essa meta, cumprida em 2017 na cidade. Isso foi possível com um planejamento de longo prazo que resistiu às alternâncias políticas na prefeitura e incluiu concessões de serviços de esgoto à iniciativa privada, iniciadas na década de 1990.
Hoje, a cidade já tem 99,65% da população rural e urbana atendidos com redes de água e 98,81% com redes de esgoto. Tecnicamente, o saneamento alcança a todos ali.
Reserva de água
A cidade tem 440 mil habitantes e, mesmo na crise hídrica de 2014 e 2015, que provocou racionamento de água em São Paulo, não ficou um dia com torneiras secas.
Com o crescimento da população ao longo dos anos, a cidade planejou e construiu uma represa com capacidade para armazenar 9,3 bilhões de litros d'água. Para evitar invasões na área de manancial — como aconteceu em outras represas do estado, como a Billings— há um parque em torno do reservatório.
A abrangência de coleta e tratamento de esgoto se reflete no Rio Jundiaí, que é urbano e foi classificado na categoria 3, o que significa que a fauna começa a voltar e a água passa a ser apropriada para consumo humano, após um tratamento simplificado.
O esgoto é tratado por um consócio privado, enquanto a distribuição e o tratamento da água estão a cargo de uma companhia de economia mista, a DAE, que tem participação privada, mas é controlada pela prefeitura.
— É um modelo que prevê a concessão parcial dos serviços, via PPP. O poder público aqui, através da DAE, garante a qualidade — diz Evandro Biancarelli, diretor-superintendente da DAE de Jundiaí.
Novos investimentos
Estima-se que a cidade tenha investido ao longo das últimas décadas algo como R$ 1,5 bilhão para chegar a esse nível de qualidade em saneamento, incluindo construção de represas e estação de tratamento de esgoto.
Agora, está prevista uma nova PPP para mais três represas e uma estação de tratamento de água, com investimentos de R$ 300 milhões.
A DAE não descarta participar de leilões de concessões de outras cidades, em parceria com fundos de investimento. A empresa teve a classificação de risco de crédito elevada recentemente pela agência de classificação de risco Austin Rating.
— É uma empresa que tem elevados padrões de governança. Nunca precisou de injeção de dinheiro da prefeitura — diz o economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini.

