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Ministério não é agência de viagens

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

Subsidiar programas de viagens para aposentados e pensionistas foi a primeira ideia apresentada pelo novo titular do Ministério do Turismo, Celso Sabino, advogado paraense em seu segundo mandato como deputado federal – o primeiro pelo PSDB e o mais recente pelo União Brasil. Tecendo elogios ao projeto Voa Brasil, do Ministério dos Portos e Aeroportos que, nos mesmos moldes propõe distribuir passagens aéreas ao valor máximo de R$ 200 a este público, Sabino revelou, em entrevista ao Estadão, a ideia de lançar o pacote completo.

 

Começou mal o novo ministro. Embarcando no mesmo despropósito de uso de recursos públicos para promover viagens turísticas pelo País, implícito na proposta de Márcio França, engrossa a corrente da subversão no planejamento de políticas públicas – aquela que procura soluções no cofre do Tesouro Nacional. Bilhetes aéreos a preços abaixo da média do mercado só por dois caminhos: ou com complementação de dinheiro público ou encarecimento das passagens para os demais passageiros. A isso, o ministro, como se o Turismo fosse uma generosa agência de viagens, quer adicionar diárias mais baratas em hotéis.

 

O turismo é uma atividade econômica para a qual o Brasil tem vocação natural, mas beneficiar viajantes – quaisquer que sejam – com promoções estatais é uma medida que chega a ser indecorosa em um país com profundas carências sociais, além de ser tão onerosa quanto ineficaz. O resultado de uma eventual distribuição de pacotes como esses para a construção de uma cultura turística no País é zero. No máximo poderá render alguma notoriedade aos ministros envolvidos e, quem sabe, votos.

 

Segurança e infraestrutura deficientes são os principais entraves à promoção do turismo brasileiro, tanto para viajantes nacionais quanto estrangeiros. E não é de hoje. Nas últimas edições do Índice de Desenvolvimento de Viagens e Turismo, calculado a cada dois anos pelo Fórum Econômico Mundial, o Brasil se destaca pelo potencial turístico. Chegou a liderar no quesito atrativos naturais. Mas não consegue traduzir essa potência no ranking de destinos mais procurados. Na edição de 2021, ficou em 49.º lugar entre 117 países.

 

O mercado mundial do turismo deve movimentar neste ano US$ 9,5 trilhões, segundo o Conselho Mundial de Viagens e Turismo. É um grande negócio, que por isso necessita de incentivos públicos e privados, mas não para lançar programas populistas como os pacotes para aposentados. Se quiser estimular os turistas a virem para cá, o governo deve investir, sobretudo, na melhoria de infraestrutura e segurança, dois problemas crônicos.

 

Precisa, enfim, de planejamento, e não de demagogia. Mas o sr. Sabino já disse que o importante é deixar os parlamentares “felizes” com a liberação de emendas para o setor. Ele sabe do que fala, pois não está no cargo em razão de expertise, e sim graças ao arranjo político para melhorar a governabilidade de Lula da Silva. Se o turismo vai melhorar com isso, é o de menos – o que importa é que a turma do Centrão continue a desfrutar da primeira classe.

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