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Em derrota para Lula, Câmara tira da Reforma Tributária incentivo para montadora chinesa

Idiana TomazelliVictoria Azevedo / FOLHA DE SP

 

Em uma derrota para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o plenário da Câmara dos Deputados derrubou um dispositivo da Reforma Tributária que assegurava benefícios fiscais à montadora chinesa que vai se instalar onde antes funcionava a fábrica da Ford em Camaçari, na Bahia.

artigo era importante para o Executivo e, segundo relatos, foi um pedido endossado por Lula, que no último 28 de junho recebeu representantes da BYD (Beyond Your Dreams) para formalizar o negócio.

O destaque foi apresentado já no segundo turno de votação pela liderança do PL, sigla de oposição. Por se tratar de uma supressão do texto, o governo tinha que assegurar o apoio de 308 deputados para manter o artigo dentro da PEC (proposta de emenda à Constituição). O placar alcançou só 307 votos —ou seja, a derrota se deu por apenas um voto.

 

O resultado foi celebrado por membros da oposição, que contaram com o reforço de 12 parlamentares do próprio PT para rejeitar a mudança. PSOL e Rede, siglas da base do governo, orientaram contra a emenda.

 

O tema vinha sendo negociado sob reserva nos últimos dias e virou uma prioridade, sobretudo para ministros e congressistas ligados à Bahia. O estado é reduto histórico do PT e também é base eleitoral do ministro Rui Costa (Casa Civil) e do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

Segundo relatos, o líder do União Brasil na Câmara, Elmar Nascimento (BA), já havia viajado ao estado na quinta-feira (6), mas retornou a Brasília nesta sexta-feira (7) só para se dedicar às articulações pela manutenção do benefício no texto da Reforma Tributária.

Nos bastidores, parlamentares do Nordeste demonstraram irritação com o que chamaram de falta de esforço do governo para colocar votos em favor da manutenção do dispositivo. Parte dos congressistas de Sul e Sudeste, por sua vez, via na derrubada do trecho uma chance de manter maior competitividade para as montadoras dessas regiões.

novo artigo havia sido incluído em uma emenda aglutinativa de plenário, protocolada às 21h43 desta quinta —menos de dez minutos antes da proclamação do resultado da votação do texto-base. Parlamentares de legendas como o Novo reclamaram do fato de não terem tido conhecimento antes da nova versão, que foi inicialmente chancelada pelos parlamentares.

A reforma já continha mecanismos para assegurar a convalidação de benefícios fiscais do ICMS até 2032, conforme aprovado na lei complementar 160, de 2017.

O novo dispositivo estendia benefícios do PIS/Cofins e do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) a projetos que tenham sido aprovados até 31 de dezembro de 2024. A concessão também alcançaria projetos validados até 31 de dezembro de 2025 "que ampliem ou reiniciem a produção em planta industrial utilizada em projetos ativos ou inativos aprovados até 31 de maio de 2023".

Na prática, o artigo garantia a concessão dos benefícios mesmo que a fábrica ainda não tivesse sido efetivamente instalada na data da promulgação da Reforma Tributária. O início das atividades da empresa é o que marca o início da aplicação dos incentivos.

A medida teria potencial para beneficiar, por exemplo, a montadora chinesa BYD (Beyond Your Dreams), que anunciou na última terça-feira (4) R$ 3 bilhões em investimentos para fabricar carros elétricos em Camaçari (BA), onde funcionava antes a fábrica da Ford. O protocolo foi assinado em outubro de 2022, mas as plantas só devem entrar em operação no fim de 2024.

Na semana anterior, em 28 de junho, o Lula recebeu no Palácio do Planalto a vice-presidente executiva da BYD e presidente da BYD para as Américas, Stella Li, ao lado de Rui Costa e do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT).

A iniciativa também atenderia à Stellantis, que tem uma fábrica da Jeep em Goiana (Pernambuco). Os benefícios tributários da montadora só valem até o fim de 2025 —o que foi apontado como um "descasamento" temporal de incentivos a ser corrigido na reforma.

Aliados de Lula afirmaram na noite de quinta que o artigo foi "corretamente incluído" pelo relator na reforma, uma vez que a Bahia fechou o acordo com a montadora chinesa recentemente, dentro das regras atuais que serão mantidas até 2032.

A avaliação é que aprovar a PEC sem essa medida poderia comprometer o acerto e até gerar insegurança jurídica.

Há o temor agora de que o Brasil fique "desmoralizado" com a China. O texto ainda poderá ser alvo de mudanças no Senado Federal.

Deputados de outras legendas que têm a Bahia como reduto eleitoral também apoiaram o texto. "Pedimos também que o relator tenha uma atenção especial, como o nosso governador Jerônimo Rodrigues solicitou, para que possa ser prorrogado o regime automotivo do Nordeste, que vem gerando muito emprego, muito desenvolvimento", disse o deputado Gabriel Nunes (PSD-BA) durante as discussões na quinta.

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