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Morre Erasmo Carlos, grande ícone do rock nacional e da Jovem Guarda, aos 81 anos

Thales de Menezes / FOLHA DE SP
SÃO PAULO

Morreu nesta terça-feira, aos 81 anos, o cantor Erasmo Carlos, compositor de canções clássicas, a maioria delas escrita com o parceiro Roberto Carlos, e um dos maiores nomes da história da música nacional. A morte foi confirmada pela gravadora Som Livre, em seu perfil numa rede social, mas a causa não foi informada. Ele estava internado num hospital na zona oeste do Rio de Janeiro.

A primeira —e maior— paixão musical de Erasmo foi o rock’n’roll. Obcecado desde a adolescência pelo ritmo "selvagem" de Elvis Presley e Little Richard, ele foi um dos maiores símbolos do rock brasileiro, um astro que encarnou a imagem do rebelde e cantou sobre carros vermelhos, gatinhas manhosas e sua própria fama de mau.

Mas Erasmo foi muito mais que isso. O rock, na verdade, representou uma fase curta em sua carreira. Erasmo logo se libertou das amarras criativas da Jovem Guarda e se estabeleceu como um dos maiores compositores do pop e da música romântica brasileira, especialmente devido às centenas de canções escritas com o parceiro Roberto Carlos.

Começando em 1963 com "Parei na Contramão", a parceria de Roberto e Erasmo é uma das mais longevas e a mais bem-sucedida da história da música brasileira, rendendo inúmeros sucessos: "Emoções", "Detalhes", "Sentado à Beira do Caminho", "As Curvas da Estrada de Santos", "Se Você Pensa", "Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos", "Quero Que Vá Tudo Pro Inferno", "Como é Grande o Meu Amor por Você" e muitas outras.

Em julho de 2021, quando Erasmo completou 80 anos, reportagens levantaram o número de composições registradas no nome dele. Totalizaram 682, a grande maioria em parceria com Roberto.

Das 20 músicas dele mais tocadas em rádios e serviços de streaming, apenas uma —"O Calhambeque", versão em português de "Road Hog", de John e Gwen Loudermilk— não foi composta em parceria com o "Rei", embora tenha sido gravada por ele.

A amizade com Roberto começou no fim da década de 1950, na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro, onde se reunia um grupo de amigos que curtiam rock e do qual faziam parte também Tim Maia e o tecladista Lafayette, entre vários outros. Roberto e Erasmo, junto a Wanderléa, foram os principais nomes do movimento chamado Jovem Guarda, surgido a partir de um programa de TV homônimo, transmitido entre 1965 e 1968, aos domingos à tarde, pela TV Record.

A Jovem Guarda foi o primeiro grande movimento da música jovem no Brasil. Além de Roberto, Erasmo e Wanderléa, a garotada vibrava com as participações de Wanderley Cardoso, Jerry Adriani, Martinha e Renato e Seus Blue Caps, entre outros.

O repertório consistia, basicamente, de versões em português de rocks e baladas em inglês e italiano. Mas nem todo mundo gostava: uma ala da MPB mais tradicionalista via a Jovem Guarda como exemplo de "entreguismo" e subserviência a ritmos estrangeiros.

Em 17 de julho de 1967, jovens músicos brasileiros, como Elis Regina, Edu Lobo, Gilberto Gil e Jair Rodrigues, se reuniram no centro de São Paulo para uma passeata contra um inimigo poderoso: a guitarra elétrica. A MPB temia e rechaçava o rock, e a Jovem Guarda era vista como uma adversária.

Quando a Jovem Guarda acabou, em 1968, o único de seus integrantes que conseguiu fazer uma transição musical tranquila e bem-sucedida foi Roberto Carlos, que se firmou como o maior cantor romântico do Brasil.

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