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Ficha de Pacheco caiu tarde e pela metade.

Josias de Souza

Colunista do UOL

02/05/2022 09h34

Numa concessão tardia ao óbvio, o senador Rodrigo Pacheco, presidente do Congresso, reconheceu que o Brasil convive com "anomalias graves". Foi como Pacheco se referiu às manifestações "ilegítimas e antidemocráticas" que injetaram nos celebração do 1º de Maio a faixas e discursos em defesa do fechamento do Supremo Tribunal Federal e da volta dos militares ao Poder. Além de óbvia, a constatação de Pacheco é obscura, tardia e incompleta.

O comentário de Pacheco é obscuro porque suas frases giram ao redor de um sujeito oculto. O mandachuva do Congresso sabe que o responsável pelo golpismo das manifestações é Bolsonaro. Mas se recusa a pronunciar o nome. A manifestação é tardia porque o Congresso permitiu que Bolsonaro levasse longe demais o seu plano de responder a uma eventual derrota eleitoral com uma confusão à moda de Trump. A fala de Pacheco é incompleta porque esconde a motivação financeira da cumplicidade do Legislativo.

Dias atrás, Bolsonaro defendeu numa entrevista a prática da distribuição de verbas federais aos parlamentares, inclusive as do Orçamento secreto. Disse que isso "ajuda a acalmar o Parlamento", porque o que deputados e senadores querem, "no final das contas, é mandar recursos para as suas cidades." Bolsonaro disse não ter "nada a ver com isso.".

Em parceria com Arthur Lira, presidente da Câmara, Pacheco retarda há mais de cinco meses o cumprimento de uma ordem do Supremo para que o Congresso exponha à luz do Sol os nomes dos parlamentares que se lambuzaram com as verbas do Orçamento secreto. Esse esconde-esconde transformou o Parlamento numa deformidade que compõe o conjunto de "anomalias graves" a que se refere Rodrigo Pacheco. A ficha do presidente do Congresso caiu tarde. E pela metade..

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