Sujos e mal lavados debatem lama do Congresso..
JOSIAS DE SOUZA / Colunista do UOL 21/03/2022 09h56
Inaugurou-se no final de semana um debate entre sujos e mal lavados sobre a lama do Congresso. De um lado, Lula. Na outra ponta, o chefe da Casa Civil Ciro Nogueira e os presidentes da Câmara e do Senado, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco. Discursando para uma plateia companheira do MST, no Paraná, Lula declarou que o Congresso Nacional "nunca esteve tão deformado." Soou cáustico: "Talvez seja o pior Congresso que já tivemos na história do Brasil". A certa altura, Lula afirmou: "Eles criaram uma coisas chamada orçamento secreto, que é um orçamento lesa-pátria." Ciro Nogueira perguntou no Twitter: será que Lula "esqueceu do mensalão?" Arthur Lira disse que Lula "está mal informado". Insinuou que o presidenciável petista conversa com pessoas erradas. Foi uma alusão ao senador Renan Calheiros, desafeto de Lira na política de Alagoas. Rodrigo Pacheco tachou a avaliação de Lula de "deformada, ofensiva e sem fundamento".
No passado, quando a ditadura queria subjugar os congressistas, fechava o Congresso. Desde a redemocratização, o Executivo passou a comprar o Legislativo. Lula levou a experiência às fronteiras do paroxismo, remunerando seus apoiadores com o mensalão e o petrolão. Sob Bolsonaro, o melado passou a escorrer por dentro do orçamento, com as emendas secretas.
Ciro Nogueira e Arthur Lira, aliados de todos os governos desde a chegada das caravelas, participaram do saque. Ciro confunde amnésia com consciência limpa. Cutucou Lula por ter esquecido o mensalão. Mas se absteve de citar o petrolão, escândalo no qual o PP, partido em cujas fileiras milita ao lado de Lira, alcançou o topo do ranking de encrencados.
Pacheco fala de "deformação" sem dizer uma mísera palavra sobre as emendas secretas do orçamento paralelo. Além de presidir o Senado, comanda o Congresso. Demora a cumprir a ordem do Supremo Tribunal Federal sobre a divulgação das digitais escondidas atrás das cifras de cada emenda secreta. O Orçamento paralelo apodrece em inquérito da PF e no noticiário. O escândalo já está contratado.
A troca de farpas de Lula com ex-apoiadores dos governos petistas serve apenas para potencializar a sensação de que o vocábulo governabilidade continua sendo um abracadabra para a caverna de Ali-Babá. No próximo Congresso, vão se juntar novamente hienas, raposas, aves de rapina, abutres e roedores de toda espécie. Colocarão na tabuleta da porta: 'Base Aliada'.

