Mourão critica toque de recolher proposto por secretários de Saúde: 'Não adianta querer impor algo nacional'
O Globo, com G1
RIO — O vice-presidente Hamilton Mourão afirmou nesta terça-feira que "não adianta querer impor" medidas nacionais para restringir a circulação de pessoas e tentar reduzir os casos de Covid-19. Para ele, as soluções possíveis são acelerar a vacinação e realizar campanhas de conscientização da população.
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Mourão fez o comentário após ter sido questionado a respeito da carta escrita pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), que sugeriu medidas urgentes contra o iminente colapso das redes pública e privada de saúde diante do aumento dos casos de Covid-19 no país. Entre as sugestões apresentadas pelos secretários, está um toque de recolher nacional das 20h até as 6h da manhã.
— Cada população tem sua característica, se você analisar o país são cinco países diferentes em um só, o Norte é uma coisa, Nordeste é outra. Então não adianta você querer impor algo nacional. Como é que você vai fazer isso para valer? A imposição? Nós não somos ditadura. Ditadura é fácil, sai dando bangornada em todo mundo — afirmou o vice-presidente em entrevista ao chegar ao Palácio do Planalto nesta terça-feira, segundo o G1.
Para Mourão, a população “cansou” das medidas de restrição e os brasileiros não gostam de ficar em suas residências.
— Tem que haver uma campanha em todos os níveis de conscientização da população. Acho também que tinham que ter alguma atitude em relação ao transporte urbano, acho que nenhum gestor se preocupou muito com isso. E conseguir acelerar as vacinas. Acelerando as vacinas a coisa anda de forma boa — afirmou o vice-presidente, de acordo com o G1.
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A nota divulgada pelo Conass na segunda-feira pede o endurecimento de medidas de restrição. Além do toque de recolher nacional, os gestores pedem ainda o fechamento de praias e bares, e que as autoridades instituam barreiras sanitárias nacionais e internacionais, considerando inclusive "fechamento dos aeroportos e do transporte interestadual". Eles defendem ainda o nível máximo de restrição, ou seja, lockdown, em regiões com mais de 85% de ocupação de leitos.
Um ano após o primeiro caso de Covid-19 no Brasil, o país vive um momento crítico. Na segunda-feira, o país bateu, pelo terceiro dia consecutivo e pela quarta vez em menos de uma semana, o recorde de média móvel de mortes. Nos últimos sete dias, 1.223 pessoas morreram em decorrência da Covid-19 em média todos os dias, segundo dados do boletim do consórcio dos veículos de imprensa.

