Com reeleição afastada, Maia pode separar Bolsonaro e evangélicos

Com a reeleição para presidente da Câmara afastada pelo Supremo Tribunal Federal, Rodrigo Maia trabalha por nomes que se alinharam a ele na condução de projetos e na posição política para sucedê-lo no cargo. Por ora, as apostas são Baleia Rossi (MDB-SP), autor da PEC da reforma tributária, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), líder da Maioria, e Marcos Pereira (Republicanos-SP), integrantes de um grande bloco que Maia reuniu em torno de si à espera da decisão do Supremo.
Em declaração recente, Pereira disse que o deputado do DEM do Rio de Janeiro seria “um gigante” no dia 31 de janeiro, ao abrir mão da “perpetuação no poder”. Se for ele a opção do presidente da Câmara para sucedê-lo, Maia pode selar o afastamento entre a Igreja Universal e o presidente Jair Bolsonaro.
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A insatisfação da bancada evangélica é crescente, desde o apoio tíbio de Bolsonaro à reeleição fracassada de Marcelo Crivella como prefeito do Rio. Bolsonaro quer Arthur Lira, do centrão, para comandar a Câmara. Pereira apoiado por Maia formaria um polo oposto ao do deputado do PP de Alagoas por quem torce o presidente da República.
O perfil que Maia procura é de um nome que apoie a agenda liberal na economia e foque nas reformas tributária e administrativa. E também um deputado que garanta a autonomia da Câmara frente ao Executivo, depois das turbulências dos últimos dois anos com Bolsonaro.
Em seu futuro fora do comando da Câmara, caberá ao deputado definir o que fará com o patrimônio político que ele e o DEM adquiriram na eleição municipal. Maia quer a união dos vários partidos de centro e tentará construir essa unidade, com o estilo que manteve para evitar crises institucionais mais agudas com o Executivo. Não descartou, em entrevista, pensar em uma candidatura ao governo do Rio em 2022. O DEM tende a ocupar o deserto político que tomou conta do Rio desde os escândalos que desmantelaram a hegemonia do MDB no estado. O GLOBO


