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Republicanos cresce e ganha espaço entre os partidos da direita II

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

 

O sucesso eleitoral do Republicanos tem método. Há anos, a direção nacional orienta-se por pesquisas do Instituto Informa. Elas ajudam a traçar as estratégias eleitorais. O partido testa nomes e escolhe candidatos mais competitivos em cada Estado, que são privilegiados com recursos. Oferece a eles os melhores números de urna, aqueles mais fáceis de memorizar. Muitos deles são pastores, nomes já consolidados na política regional e estrelas de TV. Em 2020, foi a vez de apostar em delegados.

Bancada na Câmara

O crescimento contínuo verificado nas eleições municipais também se repete na Câmara. Hoje, o partido tem a sétima maior bancada, com 32 integrantes. A maioria se diz independente, alguns são notórios bolsonaristas, mas nas contas finais o partido vota 90% a favor das pautas do Planalto. Desde a primeira eleição geral em 2006, o Republicanos passou de um eleito apenas para oito em 2010, 21 em 2014 e 30 em 2018. Essas duas eleições, a de prefeitos e deputados federais, têm uma correlação direta, segundo estudiosos do sistema político brasileiro.

O cientista político Sérgio Praça, da Fundação Getúlio Vargas, considera que o Republicanos está “bem encaminhado” para crescer novamente em 2022 com base nos resultados obtidos neste ano. “Eles foram muito bem, visto que está provado cientificamente que quanto mais vereadores e prefeitos melhor é sua eleição para a Câmara dos Deputados dois anos depois. Os prefeitos recebem emendas dos deputados, e em troca fazem campanhas para eles”, diz Praça. “Se prestarmos atenção demais no desempenho deles em São Paulo e no Rio perdemos tendências mais profundas desta eleição. Os Republicanos têm dois filhos do presidente filiados e o apoio de campanha da Universal, isso dá uma força que nenhum outro partido possui. Eles são identificados com a agenda legislativa moral do bolsonarismo.” 

Por outro lado, o Republicanos esforça-se para se desvencilhar de reveses na sua maior vitrine até agora, a prefeitura do Rio de Janeiro, administrada pelo prefeito Marcelo Crivella, bispo da Universal e sobrinho de Edir Macedo, o fundador da igreja. Na contramão das expectativas, o prefeito não conseguiu ajudar nem eleger o próprio filho, Marcelo Crivella Filho, deputado federal em 2018, ressente-se um dirigente do Republicanos, para quem a gestão no Rio “só trouxe desgaste”.

As pesquisas internas que o partido encomendava já mostravam dificuldades no Rio e em São Paulo, o que faria a direção nacional resistir às candidaturas do prefeito do Rio Marcelo Crivella e do apresentador e deputado Celso Russomanno. As duas derrotas são atribuídas mais à má gestão de Crivella e erros de estratégia e comunicação de Russomanno, além de um desgaste de seu nome, que não conseguem nem avançar ao segundo turno na capital paulista há três campanhas seguidas.

“As duas derrotas não são do partido. Elas mostraram que o eleitor não queria Celso como prefeito, e que o carioca reprovou o Crivella. As pessoas não rejeitaram o partido, mas sim os candidatos. Tanto que elegemos sete vereadores no Rio e quatro em São Paulo”, afirma Pereira.

Logo depois do primeiro turno, a aposta dele, para balancear a provável perda da segunda maior cidade do País, com 4,8 milhões de eleitores, eram as disputas no último domingo em Vitória, São Luís, Campinas e Sorocaba. Destas, o partido só perdeu na capital maranhense.  “A continuidade do sucesso depende desses gestores”, prevê.

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