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'DECEPCIONADO' COM AS FORÇAS ARMADAS, CIRO GOMES TENTA SE CONSTRUIR COMO TERCEIRA VIA CONTRA LULA E BOLSONARO

A mais de dois anos para a campanha de 2022, Ciro Gomes está de mangas arregaçadas na se preparando para sua terceira tentativa de se eleger presidente, em que aposta como nunca no esforço em cumprir o papel de uma terceira via.

 

Acaba de lançar Projeto nacional: o dever da esperança (Leya), livro em que apresenta suas propostas para o Brasil. Confinado devido à Covid, tem percorrido lives e afins para divulgá-lo, uma maneira de manter o clima de campanha. Todas as entrevistas ou transmissões em tempo real são sempre acompanhadas da militância pedetista.

Organizados com hashtags e postagens repetidas para fazer um assunto viralizar, os militantes, batizados de "turma boa", são capazes de colocá-lo nos trending topics do Twitter, como ocorreu na quinta-feira, e badalar sua imagem efusivamente.

Efusão, aliás, no significado que a geologia lhe dá, é um termo bem apropriado para definir alguns dos momentos da entrevista. Tal qual o derramamento da lava quando escoa da terra, Ciro disparou sem dó, em gomês castiço, contra seus adversários.

'Temerário': técnicos da Saúde alertaram Presidência da República sobre pedido de reabrir comércio Foto: Pablo Jacob/Agência O Globo
'Temerário': técnicos da Saúde alertaram Presidência da República sobre pedido de reabrir comércio Foto: Pablo Jacob/Agência O Globo

Contra nenhum deles, entretanto, falou com a mesma raiva quanto fez contra dois: Jair Bolsonaro e Lula, os dois principais nomes da esquerda e da extrema direita brasileiras. É no meio, como centro esquerda, que Ciro tenta encontrar seu veio.

Contra Lula, disse ser pequena a chance de reconciliação. Os dois estão rompidos desde 2018, quando o PT lançou a candidatura de Lula, tendo como vice Fernando Haddad, que depois assumiria como cabeça de chapa, quando o registro de Lula foi negado pelo TSE.

Ciro esperava ser apoiado pelo petismo e afirma ter recusado um convite de Lula para ser ele o vice provisório que assumiria como candidato oficial após o veredicto do TSE se o petista, preso, podia ou não concorrer.

"Não sou mais amigo de Lula. Perdi o respeito por ele. Lula queria que o povo o tirasse da cadeia e o levasse como imperador. Lula se corrompeu. Tudo o que ele quer hoje é fazer um partido com 50 deputados para meter a mão em milhões do fundo eleitoral"

Perguntado por que tentou visitar Lula em abril de 2018 na cadeia, na expectativa de tentar um acordo eleitoral para a campanha daquele ano, Ciro disse que tentou visitar o ex-presidente na cadeia por questões humanitárias. 

Fez ressalvas a um segmento do PT, composto por nomes como Jaques Wagner, Eduardo Suplicy e outros, com quem gostaria de ter interlocução. Mas afirma que eles são alijados do diretório nacional por não compactuarem com tudo que Lula diz.

O ex-presidente Lula e o ex-ministro Ciro Gomes Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
O ex-presidente Lula e o ex-ministro Ciro Gomes Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Feitas as críticas ao petismo, a lava quente mira o bolsonarismo, força que, segundo ele, se retroalimenta com o petismo para manter-se viva.

Acredita que Bolsonaro tentará um golpe contra a democracia, é um "charlatão" e "mente ao invocar a figura Jairzinho paz e amor".

"Bolsonaro é mentiroso compulsivo. Na cabeça dele, ele ainda vai tentar um golpe. Está organizando milícias nas PMs do Brasil inteiro. É charlatão e prescreveu remédio sem estar habilitado. Versão Jairzinho paz e amor vale uma cédula de três reais", disse, prevendo que o presidente será alvo da "fúria popular" por ter o "pior governo brasileiro da História".    

Mostrou-se particularmente incomodado com a postura das Forças Armadas atualmente.

"Estou muito envergonhado do comportamento das Forças Armadas. Não podem ser milícia de nenhum partido ou governo. Estão desmoralizadas em nome do Bolsonaro, um boçal envolvido com tudo o que há de safadeza", disse.

Afirmou ainda que os militares deveriam exigir a demissão de quadros da ativa de altos cargos, como o general Eduardo Pazuello no comando do Ministério da Saúde.

"General Pazuello é um vassalo desavergonhado que atendeu ordens espúrias de Bolsonaro sobre a cloroquina. A corporação militar tinha que tirar esse cidadão do ministério".

Ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello Foto: Jorge William/Agência O Globo
Ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello Foto: Jorge William/Agência O Globo

Para Ciro, faz sentido a declaração de Gilmar Mendes de que o Exército corre o risco de se associar a um genocídio na gestão da pandemia pelo governo federal.  A fala do ministro do STF levou a uma manifestação conjunta de Exército, Marinha e Aeronáutica, seguida de um pedido do Ministério da Defesa para que a PGR investigue o caso — mais uma vez, com base na Lei de Segurança Nacional.

"Gilmar Mendes apenas apontou que o rei está nu. Na pior pandemia da história, colocaram militares no ministério, como numa república de bananas", disse Ciro Gomes, usando a mesma expressão de Gilmar ao afirmar que o Brasil passa por um "genocídio".

"Agora que a pandemia chegou à periferia, vivemos um verdadeiro genocídio".

Avaliou que a democracia não está mais em tanto risco, devido à moderação que Bolsonaro vem tentando adotar, desde a prisão de Fabrício Queiroz.

"Quem vier em defesa da democracia é muito bem-vindo. Não faz sentido pedir certificado de origem".

Cobrou um debate "fraterno e respeitoso" para se chegar a uma alternativa eleitoral a Jair Bolsonaro, além de compreender a migração do eleitorado para as hostes do capitão.

Dessa roda, o ex-ministro avalia que o PT, especialmente por causa de Lula, não quer fazer parte.

"Todo mundo que não é petista é chamado de fascista, de gado. O PT quer mostrar cara feia, com gabinete do ódio de dinheiro roubado. Temos que fazer um debate fraterno e respeitoso". 

Mas esquenta a chapa novamente ao analisar outros possíveis candidatos que tentam a terceira via, como Sergio Moro e Luciano Huck, cotados para a eleição de 2022, mas que não confirmam serem candidatos.

"Moro é medíocre, acobertou bandalheiras e agora quer se apresentar de chibata moral. Huck seria outro estagiário na Presidência", afirmou, lembrando repetidamente o próprio currículo de ex-ministro, ex-governador e ex-prefeito.

GUILHERME AMADO / ÉPOCA

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