Ao proteger colegas, Congresso ajuda Bolsonaro
Presidente com a menor base aliada formal no Parlamento desde a redemocratização, Jair Bolsonaro não tem do que reclamar do Congresso. A investigação de suspeita de corrupção de seu secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten, é a primeira iniciada pela Polícia Federal contra um integrante do Planalto em seu mandato. No dia em que o presidente assumiu em público a defesa do auxiliar enrolado, Câmara e Senado decidiram enfrentar o STF e o TSE em defesa do deputado Wilson Santiago (PTB-PB) e da senadora Selma Arruda (Podemos-MT).
A quarta-feira terminou com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, reconhecendo que o resultado da votação na Casa beneficiando Santiago era constrangedor, ao reverter o afastamento do deputado, determinado pelo Supremo. Santiago foi denunciado por corrupção depois que um assessor foi filmado recebendo dinheiro que seria de propina. No Senado, a Mesa Diretora ainda vai discutir a situação de Selma, já cassada pela Justiça Eleitoral mas ainda exercendo o mandato.
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A percepção de que os políticos fazem o que podem para impedir a punição de seus pares pela Justiça está na raiz do terremoto que foi a eleição de 2018. Num dia em que Bolsonaro toma nova atitude capaz de embaçar mais a imagem de "homem de fora da política" em que muitos eleitores acreditaram, os parlamentares trataram de retomar os holofotes para si.

