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Moradores denunciam problemas de saúde por causa de cheiro forte de gás que sai de refinaria no Litoral Sul

Moradores da Vila Califórnia, no município de Ipojuca, Litoral Sul do Estado, denunciam um forte cheiro de gás proveniente da refinaria Abreu e Lima (RNEST), empreendimento vizinho à comunidade. Eles relatam problemas como dor de cabeça, mal-estar, tontura e náuseas (veja vídeo acima).

Na última segunda-feira (27), um grupo procurou o Ministério Público de Pernambuco (MPPE). A Prefeitura de Ipojuca informou que enviou um ofício para a Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) cobrando explicações.

A Vila Califórnia tem cerca de três mil moradores. A maioria foi morar na comunidade seduzida pela esperança de um emprego no Complexo Industrial de Suape, do qual a refinaria faz parte. Além da falta de oportunidades, as pessoas têm convivido, nos últimos meses, com o cheiro que, segundo elas, sai de duas torres situadas na RNEST.

Moradores de Ipojuca dizem que cheio de gás que sai de refinaria provoca náuseas e problemas de saúde — Foto: Reprofução/TV Globo

Moradores de Ipojuca dizem que cheio de gás que sai de refinaria provoca náuseas e problemas de saúde — Foto: Reprofução/TV Globo

"Tem sido um verdadeiro transtorno. O odor que a refinaria emite é horrível. Minha esposa já teve até que ir pra UPA [Unidade de Pronto Atendimento] por causa de problemas provenientes desse gás tóxico que eles emitem", afirma o recepcionista de hotel Daniel Silva.

De acordo com ele, o assunto passou a dominar as rodas de conversa no condomínio Cupe. Um grupo de WhatsApp foi criado e reúne moradores e relatos sobre os efeitos do gás nas pessoas.

"No começo, a gente achava que era só com a gente. Mas aí passou a perceber que todo mundo tinha uma história parecida", diz.

A cabeleireira Kênia Souza teme pela saúde da filha Aimée, de nove meses. A criança tem dificuldades para dormir, porque, à noite, o cheiro de gás é mais intenso.

 

"O cheiro é muito forte. A gente sofreu muito na gravidez. Enjoava o tempo todo. Os médicos falavam: se você puder, fuja desse gás. Então eu fugia sempre pra casa da minha sogra. Até pra casa da minha mãe em Carpina [Zona da Mata Norte] eu fui e passei 15 dias", lembra.

Grávida de cinco meses, Nieli Pereira compartilha do mesmo medo. "Se para a gente que é adulto o incômodo já é grande, imagina para um bebê?", compara.

Nieli fez uma denúncia na ouvidoria da refinaria Abreu e Lima. Recebeu a resposta de que a emissão de gás respeita as normas. A RNEST opera mediante licença concedida pela CPRH.

Refinaria Abreu e Lima fica no complexo de Suape, no Litoral Sul de Pernambuco — Foto: Reprodução/TV Globo

Refinaria Abreu e Lima fica no complexo de Suape, no Litoral Sul de Pernambuco — Foto: Reprodução/TV Globo

Respostas

Em nota, o Ministério Público informou que a investigação se encontra em fase inicial. "A Promotoria de Justiça do Meio Ambiente de Ipojuca está analisando as informações trazidas pela população sobre o cheiro de gás vindo da refinaria para definir as providências que serão adotadas", diz o comunicado.

A Promotoria de Justiça do Meio Ambiente de Ipojuca está analisando as informações trazidas pela população sobre o cheiro de gás vindo da refinaria para definir as providências que serão adotadas. A princípio, ainda não foi marcada audiência sobre o assunto.

De acordo com a Petrobras, "resultados verificados por meio de estações de monitoramento da qualidade do ar demonstram que a refinaria Abre e Lima opera estritamente dentro dos padrões ambientais estabelecidos pelos órgãos fiscalizadores"

Ainda segundo nota enviada pela empresa, "a refinaria opera normalmente e não há registro de nenhuma intercorrência na operação da unidade que possa colocar em risco a saúde da comunidade do entorno. A Petrobras monitora a qualidade do ar na região em tempo integral".

Também por meio de nota, a Prefeitura de Ipojuca informou que, "desde o 2º semestre de 2019, recebe denúncias dos moradores da Vila do Estaleiro e arredores da Refinaria Abreu e Lima sobre o forte cheiro de gás atribuído à queima de combustível da refinaria.",

A nota diz, ainda, que " a competência da licença e a fiscalização ambiental do Complexo Industrial de Suape é do governo do estado, através da Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH)".

A prefeitura informa também que "em 18 de julho de 2019, enviou ofício nº419/2019 esclarecendo ao Ministério Público sobre a competência estadual e informando que a gestão municipal oficiou o CPRH cobrando providências".

Segundo a administração municipal, na época, tanto a Refinaria, quanto o CPRH responderam que o todos os procedimentos estavam sendo feitos dentro do parâmetro ambiental exigido e o caso foi arquivado pelo MPPE".

Na nota, a prefeitura esclarece que, na segunda-feira (27), diante de mais uma manifestação dos moradores, que alegam problemas de saúde provocados pela inalação do cheiro químico oriundo da Refinaria, enviou novo ofício (nº46/2020) à CPRH, órgão responsável pela licença e fiscalização, informando os danos ambientais e as consequências dele para a saúde pública e cobrando providências.

"Uma cópia deste ofício foi enviada ao MPPE para que tenha ciência. A Prefeitura aguarda as providências", informou. PORTAL G1

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