A quem atribuir a vitória pela aprovação da reforma da Previdência
Nenhuma dúvida de que o grande vitorioso pela aprovação da reforma da Previdência em primeiro turno na Câmara é o deputado Rodrigo Maia. Não só pelo impressionante número de presentes na casa e de votos a favor, mas também pela articulação impecável ao longo de toda a tramitação da emenda.
O presidente da Câmara superou todos os obstáculos interpostos, inclusive os criados pelas escaramuças com um dos filhos de Bolsonaro e pelo próprio presidente, que muitas vezes interferiu de maneira inadequada no processo, como se fosse um líder da oposição. Rodrigo Maia articulou a aprovação da proposta convencido de que estava trabalhando para “salvar o Estado brasileiro”.
Por isso, coube a ele o discurso da vitória. Um discurso que apostou na convivência dos políticos em meio a diferenças. Coube a ele os aplausos e a ovação do plenário, que só teve lotação desta qualidade na promulgação da Constituição de 1988 e nos impeachments de Fernando Collor e Dilma Rousseff.
Papel fundamental também teve o ministro da Fazenda, Paulo Guedes. Embora não tenha emplacado a ideia da capitalização previdenciária, seu discurso missionário ajudou muito a consolidar no espírito dos parlamentares a importância fundamental da reforma. A difusão em todos os meios das dezenas de discursos muito bem articulados de Guedes também ajudou a esclarecer os brasileiros da urgência da reforma.
Ao presidente Bolsonaro coube um papel secundário. Ele também foi convencido por Guedes da necessidade de patrocinar a emenda. Mas nunca se mostrou absolutamente convicto. Em diversos momentos tentou tirar mais uma e mais outra categoria da abrangência e do rigor da reforma. Fez isso com os militares, depois com PMs e bombeiros, e agora com policiais federais, rodoviários. Mas, enfim, foi em seu governo que a reforma andou. E a Bolsonaro, portanto, não se pode negar este mérito.
Ascânio Seleme / O GLOBO

