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Quem ‘pariu’ Jair Bolsonaro foi Lula, não o país Josias de Souza

A euforia subiu à cabeça de Lula. Em sua primeira entrevista após a divulgação das mensagens trocadas entre os algozes Sergio Moro e Deltan Dallagnol, o presidiário petista foi acometido de amnésia. Não disse coisa com coisa. Esqueceu o que aconteceu na sucessão presidencial de 2018. Fora de órbita, Lula disse que "o país pariu essa coisa chamada Bolsonaro". Insinuou que o eleitor brasileiro é um boboca influenciável, pois "o Bolsonaro é resultado do pânico que os meios de comunicação e que uma parte da elite brasileira criaram no Brasil sobre a política." Ora, quem pariu Bolsonaro não foi o país. Deve-se a gravidez ao próprio Lula, que se autoconverteu no principal cabo eleitoral do capitão. O parto é obra do antipetismo, maior força política da sucessão.

 

Os meios de comunicação forneceram notícias, não pânico. O que horrorizou o brasileiro foi o rol de acontecimentos que Lula ajudou a levar às manchetes. Por exemplo: a conversão do PT em máquina coletora de fundos, o envio da Petrobras ao balcão, o aval às nomeações dos petrogatunos, os acertos com empreiteiros, a invasão aos cofres públicos.

 

Recordou-se a Lula que um pedaço do eleitorado do petismo sentiu-se ludibriado. E ele: "Alguém que se sentiu traído pelo PT não poderia ter votado no Bolsonaro. Se o cara se sentiu traído, poderia ter votado em coisa melhor, o Boulos foi candidato, o Ciro, embora não mereça porque é muito grosseiro, foi candidato. A Marina foi candidata…".

 

Como se vê, Lula estava muito preocupado desfazendo sua própria história para compreender o que se passava ao redor. Já nem se lembra que retirou a candidatura de Ciro Gomes do prumo a cotoveladas. Ao empinar a candidatura-estepe de Fernando Haddad, dividiu os aliados. E envernizou o triunfo do adversário ao guerrear no tira-teima do segundo turno.

 

Lula disse a certa altura que Bolsonaro "conseguiu se vender para a sociedade enraivecida como antissistema. E a tendência é não dar certo." Pode ser. Entretanto, segundo um velho ensinamento de Churchill, a democracia continua sendo o pior regime imaginável com exceção de todos os outros.

 

Se o governo do capião for um fiasco, o eleitor buscará alternativas na próxima eleição. Lula parece decidido a levar adiante o esforço para excluir o PT do leque de opções. O eleitor de 2022 talvez prefira parir outra coisa em vez de dar à luz novamente ao roubo e à embromação.. ** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL. JOSIAS DE SOUZA

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